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30 julho 2026

O que o Brasil pode aprender com a volatilidade do índice Kospi

O mercado financeiro coreano triplicou de valor desde 2026, mas enfrenta desafios com a volatilidade do índice Kospi. Descubra como a alavancagem e os ETFs estão transformando o mercado e as lições para o Brasil.

O que o Brasil pode aprender com a volatilidade do índice Kospi

O mercado financeiro global tem enfrentado desafios significativos nos últimos anos, especialmente no que diz respeito à regulação e à volatilidade dos índices acionários. Um exemplo notável é o mercado coreano, onde o índice Kospi triplicou de valor desde o início de 2026, mas recuou 25% desde junho de 2026.

Esse cenário reflete a complexidade de um mercado onde a alavancagem e os ETFs alavancados desempenham um papel crucial. A Coreia do Sul, com suas duas maiores empresas, Samsung Electronics e SK Hynix representando 66% da capitalização do mercado, oferece um estudo de caso fascinante sobre os riscos e oportunidades desse modelo.

O papel da regulação no mercado financeiro

No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tem enfrentado desafios desde a renúncia de João Pedro Nascimento em julho de 2026 até a nomeação de Otto Lobo em junho de 2026. Durante esse período, a CVM funcionou com um presidente interino e uma diretoria incompleta, o que pode ter impactado a eficácia da regulação.

A importância de uma regulação robusta é evidente quando se observa o mercado coreano. A capitalização de mercado que é a multiplicação do preço por ação pelo total de ações emitidas, é um padrão do mercado financeiro. Essa ponderação do índice da bolsa pelo tamanho de cada companhia tem correspondência com a importância relativa da empresa na economia do país.

Os riscos da alavancagem e dos ETFs alavancados

Os investidores coreanos, especialmente no varejo, têm apostado nas ações das duas maiores empresas do país, atraídos pela expectativa de valorizações expressivas no setor de inteligência artificial (IA). No entanto, a alavancagem e os ETFs alavancados têm introduzido uma nova dinâmica no mercado.

Os ETFs alavancados precisam ajustar suas carteiras conforme o sobe e desce diário da cotação das ações. Isso pode levar a uma situação estranha para os padrões tradicionais do mercado financeiro. Se a ação sobe, o fundo precisa comprar mais papéis, contribuindo para aumentar ainda mais os preços. Por outro lado, se as ações caem, o ETF é obrigado a vender, jogando mais lenha na fogueira da queda dos preços.

Os reguladores coreanos estão preocupados com a volatilidade do índice Kospi, que é ruim para as demais empresas que fazem parte do índice e prejudica a percepção de solidez da economia coreana. No entanto, a ideia de simplesmente proibir os ETFs alavancados parece fora de questão.

Lições para o Brasil

O ponto importante que pode servir de lição para o Brasil é a necessidade de manter órgãos reguladores capacitados para acompanhar os desenvolvimentos no mercado de capitais. A recomposição da diretoria da CVM é apenas um primeiro passo para reequipar a autarquia.

Além disso, o Brasil pode aprender com a experiência coreana sobre os riscos e oportunidades da alavancagem e dos ETFs alavancados. A democratização do mercado financeiro é essencial, mas deve ser acompanhada por uma regulação eficiente para evitar crises financeiras mais graves.

Autor

Bruno Costa