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18 maio 2026

Negociações entre Irã e Estados Unidos avançam com liberação parcial de ativos e condições pendentes

Em 18 Mai, uma fonte sênior iraniana disse à Reuters que Washington aceitou permitir atividades nucleares pacíficas limitadas sob supervisão da AIEA, mas manteve reservas sobre a liberação de ativos congelados

Negociações entre Irã e Estados Unidos avançam com liberação parcial de ativos e condições pendentes

Em 18 Mai, uma fonte sênior do Irã informou à Reuters que houve sinais de acomodação por parte dos Estados Unidos em relação às atividades nucleares iranianas. Segundo a fonte, Washington mostrou disposição em autorizar que Teerã mantenha atividades nucleares pacíficas limitadas sob a AIEA. Essa guardada política representa um movimento diante de anos de tensão e destaca a importância da supervisão da AIEA como mecanismo de confiança entre as partes.

Ao mesmo tempo, a fonte enfatizou que ainda existem impasses significativos, sobretudo na esfera financeira. Os americanos, conforme relatado, concordaram até agora em liberar apenas um quarto dos ativos congelados do Irã, e essa liberação seria feita segundo um cronograma de fases. O Irã, por sua vez, solicita que Washington reavalie tanto a extensão das atividades nucleares permitidas quanto a política sobre os fundos retidos.

Proposta iraniana e prioridades diplomáticas

No novo documento apresentado nos contatos, o Irã colocou foco em três pedidos centrais: o fim da guerra que afeta a região, a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão das sanções marítimas. Esses pontos mostram que a agenda de Teerã ultrapassa o estrito campo nuclear e incorpora preocupações estratégicas e de comércio marítimo. A insistência sobre o Estreito de Ormuz reflete a sensibilidade iraniana a qualquer restrição que impacte o tráfego comercial e a segurança regional.

Termos financeiros e liberação de recursos

A discussão sobre ativos congelados é um nó crítico nas negociações. A oferta americana de liberar apenas 25% desses recursos, escalonada no tempo, foi recebida com cautela em Teerã. Para os iranianos, a medida é insuficiente frente às necessidades econômicas e aos objetivos políticos que acompanham a normalização das relações. A referência ao cronograma de fases implica avaliações e verificações que, para Washington, servem como garantias; para Teerã, podem representar longos períodos de pressão econômica.

Pontos nucleares pendentes

As questões mais sensíveis — aquelas ligadas ao programa nuclear iraniano e ao enriquecimento de urânio — foram deliberadamente adiadas para rodadas posteriores de negociação. Ao postergar os tópicos mais espinhosos, ambas as partes parecem tentar construir confiança por meio de acordos preliminares, preservando espaço para debates técnicos e garantias futuras. Isso não significa que os temas foram resolvidos, apenas que foram priorizados outros elementos de menor fricção.

Implicações da postergação

Adiar as conversas sobre enriquecimento de urânio pode facilitar avanços rápidos em outras áreas, como troca de prisioneiros, comércio e medidas de segurança marítima. Entretanto, a postergação também cria um calendário político: o retorno a temas nucleares demandará especialistas, inspeções e um ambiente diplomático menos volátil. O uso do instrumento da AIEA como supervisora foi mantido como peça central, reforçando o papel técnico da agência em qualquer arranjo futuro.

O que vem a seguir

O panorama indica negociações em etapas, com concessões parciais e uma tentativa de balancear interesses estratégicos e financeiros. Para o Irã, a prioridade é converter sinais diplomáticos em benefícios concretos, como a remoção de barreiras ao tráfego no Estreito de Ormuz e alívio das sanções marítimas. Para os Estados Unidos, a liberação escalonada de ativos e a manutenção de supervisões técnicas parecem ser ferramentas para mitigar riscos enquanto se negocia o núcleo nuclear.

No fim, a movimentação descrita pela fonte iraniana à Reuters mostra uma fase de negociações pragmáticas: avanços em áreas menos controversas, acordos condicionais sobre recursos e a decisão estratégica de deixar os tópicos nucleares mais complexos para rodadas futuras, sempre com a AIEA como árbitro técnico e de confiança.

Autor

Beatrice Bonaventura

Beatrice Bonaventura recorda a decisão de deixar as passarelas de Florença após uma matéria sobre ateliês locais; desde então orienta escolhas de estilo práticas para os leitores. Na redação propõe paletas sóbrias e mantém um arquivo pessoal de cortes e moldes de época.