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29 julho 2026

Leto Capital: A estratégia de Alexandre Muller para dominar o mercado de crédito

Alexandre Muller, ex-UBS e BTG, lidera a transformação da Leto Capital em uma gigante do crédito alternativo, inspirada pela Apollo Global Management.

Leto Capital: A estratégia de Alexandre Muller para dominar o mercado de crédito

Alexandre Muller, um nome que tem se destacado no mercado financeiro brasileiro, está à frente de uma transformação significativa na Leto Capital. Com uma trajetória que inclui passagens pelo UBS e BTG, Muller agora lidera a Leto Capital, uma gestora que está se consolidando como uma das maiores do mercado de crédito alternativo.

Aos 43 anos, Muller não apenas gerencia a Leto Capital, mas também está no processo de torná-la uma empresa de referência no setor, inspirada por gigantes como a Apollo Global Management. Sua visão estratégica e capacidade de adaptação estão impulsionando a gestora para novos patamares.

Inspiração e Inovação

Muller encontra inspiração na Apollo Global Management uma das maiores gestoras de crédito privado do mundo. Fundada por Leon Black em 1990, a Apollo é conhecida por sua capacidade de adaptação e inovação constante. “O que mais me inspira neles é a adaptação constante do modelo de negócio,” disse Muller. “Eles nasceram como uma empresa de turnaround, depois se verticalizaram como seguradora, depois expandiram para asset management com originação proprietária. É uma inovação constante.”

No Brasil, Muller acredita que há uma lacuna em termos de inovação na indústria de gestão. “Tivemos muito pouca inovação na indústria de gestão em termos de produtos e cultura. Queremos trazer um pouco disso,” afirmou. A Leto Capital, rebatizada da antiga JGP Crédito, tem R$ 23 bilhões em ativos sob gestão, com R$ 15 bilhões em fundos de crédito líquido e o restante em crédito estruturado.

Expansão e Novas Classes de Ativos

A Leto Capital está focada em expandir suas operações para novas classes de ativos. Muller destaca que, quando a JGP Crédito foi fundada em 2014, a relação entre financiamento pelo mercado de capitais e pelos bancos era de 1 para 4. Hoje, essa relação já é de 1 para 1, mas nos EUA é de 4 para 1. “Acreditamos que o estoque de crédito via mercado de capitais pode duplicar no Brasil em cinco anos e esperamos estar na vanguarda desse movimento,” disse Muller.

A gestora possui nove verticais estratégicas, incluindo infra crédito, infra private equity, offshore, agro, securitização, high grade, high yield, special sits e ETFs. O fundo principal da Leto tem mais de 12 anos, R$ 1 bilhão em ativos e é focado em crédito líquido. Recentemente, a gestora entrou no mercado de ETFs, lançando seu primeiro fundo passivo com R$ 250 milhões em ativos.

ETFs e FIDCs: O Futuro do Crédito

Muller acredita que os ETFs e FIDCs serão as verticais de maior crescimento nos próximos anos. “Esse ETF permite que os fundos troquem suas margens na B3 que estão em LFT por cotas desse ETF, que vai ter um rendimento maior, com estimativa em CDI + 0,9%. Queremos focar muito nesses ETFs B2B, que ainda é um mercado muito pequeno e com muito potencial,” explicou.

Atualmente, existem apenas três ETFs de crédito no Brasil, com cerca de R$ 1 bilhão em ativos, menos de 1% do estoque de ETFs do país. Muller também destaca a segurança dos FIDCs, citando exemplos recentes como os FIDCs da Light e da Belagrícola, que foram respeitados nos processos de recuperação judicial das companhias.

Private Equity e o Cenário Desafiador

A Leto Capital também está investindo na vertical de private equity, que acaba de ser lançada com a chegada de Pedro Guedes, ex-Vinci. “Nossa cabeça é de migrar cada vez mais de produtos de alfa tradicional, como o crédito líquido, para produtos de alfa alternativo, como FIDCs e private equity, e de beta tradicional, como os ETFs. É aí onde estamos vendo mais demanda,” disse Muller.

O primeiro fundo de private equity da Leto deve ser lançado em setembro, com foco em comprar equity de empresas de infraestrutura ou financiar projetos diretamente. Muller também observa um cenário desafiador no mercado de crédito, com o endividamento das famílias crescendo nos últimos anos e a inadimplência das PMEs saltando de 2% para cerca de 7% nos últimos quatro anos.

“Vimos um movimento muito grande de deterioração das empresas menores e de forte resiliência das grandes empresas. O que achamos que vai acontecer é um aumento de concentração em vários setores, principalmente nos que têm acesso a capital,” afirmou Muller. Ele também destaca a preocupação com a persistência inflacionária, já que as grandes empresas podem não baixar os preços mesmo com a queda da Selic.

A Leto Capital está tomando cuidado redobrado para emprestar para empresas menores, focando mais nas líderes de mercado. Nas PMEs, a prioridade tem sido trabalhar com estruturas garantidas, como os FIDCs. Com uma visão estratégica e uma equipe dedicada, a Leto Capital está se posicionando como uma das maiores gestoras de crédito alternativo do Brasil.