O Federal Reserve (Fed) decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75% nesta quarta-feira (29), mas o caminho para a estabilidade de preços continua repleto de desafios. O presidente do Fed, Kevin Warsh reafirmou o compromisso do banco central com a meta de inflação de 2% mas admitiu que a jornada não será rápida.
“A inflação não pode ser curada em nove semanas”, afirmou Warsh, destacando a complexidade do cenário econômico atual. A decisão do Federal Open Market Committee (FOMC) foi acompanhada por uma dissidência de três votos contra nove, o que levou Warsh a comentar: “Eu pedi uma boa briga de família e estamos nela”.
Pressões inflacionárias e tensões geopolíticas
Os dirigentes do Fed estão enfrentando um cenário de ressurgência das pressões inflacionárias agravadas por tensões no Oriente Médio e um boom de demanda impulsionado pela inteligência artificial. A recente escalada de conflitos no Oriente Médio fez os preços do petróleo dispararem, ofuscando uma leitura mais comportada do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) em junho.
“As coisas estão definitivamente esquentando no conflito do Oriente Médio e, para o petróleo, o risco de uma alta significativa a partir daqui aumentou”, disse Alex Payne gestor sênior de portfólio da Vanguard. A combinação de fatores geopolíticos e econômicos está tornando a decisão sobre os juros uma questão delicada.
Dissidências e perspectivas futuras
Dentro do Fed, há um crescente número de dirigentes que defendem uma elevação modesta dos juros. Lorie Logan presidente do Fed de Dallas, e Beth Hammack presidente do Fed de Cleveland, são algumas das vozes que argumentam que a inflação não está caminhando de forma sustentável de volta à meta de 2%. Ambas votarão na próxima decisão de juros e poderiam apresentar votos dissidentes caso os dirigentes optem por manter a taxa estável.
“Ouvindo os dirigentes do Fed, fica claro que há um pequeno grupo — como Logan e Hammack — que provavelmente já está pronto para agir”, disse Claudia Sahm economista-chefe da New Century Advisors. “E depois há um grupo bem grande que quer ver mais melhora — e logo.”
O mercado também está ajustando suas expectativas. Após dados do CPI mostrarem uma queda em junho, as probabilidades de uma elevação de juros caíram para cerca de 10%. No entanto, a reescalada da guerra com o Irã e o anúncio de novas tarifas pelo governo Trump revertem essa tendência, com as probabilidades subindo para cerca de 35%.
O caminho à frente
Os dirigentes do Fed podem se sentir confortáveis em manter os juros inalterados na esteira da leitura mais fria da inflação de junho. No entanto, se os dados futuros mostrarem pressões de preços persistentes, o banco central pode precisar elevar os juros nas próximas reuniões. “Em um cenário em que a inflação efetiva não começa a arrefecer em breve, acredito que poderia ser adequado reconsiderar nossa postura de política atual”, disse o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson.
Qualquer que seja o resultado, a coletiva de imprensa pós-decisão de Warsh será acompanhada de perto em busca de pistas sobre como ele e seus colegas veem a evolução da economia. “Acho que essa é a coisa fundamental que precisamos aprender ao longo das próximas reuniões — sobre onde está o centro do comitê em relação a se as altas de juros são ou não necessárias”, disse Matthew Luzzetti economista-chefe dos EUA do Deutsche Bank Securities.



