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23 maio 2026

Fazenda de mineração de Bitcoin é descoberta em área do Comando Vermelho no Lins

Polícia Civil realizou a Operação Contenção no Complexo do Lins e encontrou uma fazenda com cerca de 30 máquinas; investigação mira tráfico e fraudes financeiras

Fazenda de mineração de Bitcoin é descoberta em área do Comando Vermelho no Lins

No dia 22 de maio de 2026, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou mais uma etapa da Operação Contenção no Complexo do Lins. Em meio às buscas, equipes localizaram uma fazenda de mineração com cerca de trinta equipamentos dedicados à criação de Bitcoin e possivelmente de outras moedas digitais. As autoridades investigam se essa estrutura foi usada como instrumento de lavagem de dinheiro vinculada a atividades do tráfico e a outros crimes patrimoniais.

A ação contou com apoio da Draco, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de unidades da polícia da capital, Baixada e interior, incluindo o suporte de blindados e aeronaves. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão — cerca de 30 — e mandados de prisão relacionados ao núcleo investigado. Ao final da operação, dez pessoas foram presas em desdobramentos da ofensiva, mesmo que não houvesse ninguém no local da fazenda no momento da chegada das equipes.

A operação e o objetivo das investigações

A Operação Contenção foi direcionada a membros apontados do Comando Vermelho que controlam áreas do Complexo do Lins, com suspeitas de envolvimento em tráfico de drogas, roubos e ataques organizados. Segundo a investigação, o grupo teria uma estrutura de trabalho dividida por funções, o que permitiu à polícia determinar a necessidade de cumprimento de mandados simultâneos. A falsa central telefônica e golpes financeiros também fazem parte das linhas investigativas que motivaram a ação coordenada entre delegacias e forças especiais.

O que a polícia encontrou na fazenda de mineração

No terreno aparentemente abandonado, agentes registraram aproximadamente 30 máquinas enfileiradas em prateleiras, conectadas em rede e monitoradas remotamente. O local possuía um sistema de refrigeração com exaustores e ventiladores de alta capacidade para manter a operação estável. A montagem lembrava um esquema profissional de mineração de criptomoedas, com equipamentos configurados para alto desempenho e funcionamento contínuo. As autoridades avaliaram hardware, cabos e sistemas de rede como prova material para futuras perícias.

Ligação clandestina e impacto energético

A energia que alimentava a instalação vinha de uma ligação irregular — o popular gato — direto de um poste, caracterizando crime contra o serviço público e permitindo operar sem custos oficiais. A existência da energia elétrica furtada é apontada como fator que tornou viável manter o parque minerador ligado de forma contínua, elemento importante na linha de investigação sobre lavagem de dinheiro. Além do aspecto financeiro, essa prática também representa risco de sobrecarga e incêndio em áreas densamente povoadas.

Equipamentos, monitoramento e conexão com outros casos

As máquinas encontradas permitiam processamento intenso de cálculos para validação de blocos e recebimento de recompensas em criptoativos; trata-se de um processo técnico conhecido como mineração. Embora a atividade de mineração não seja ilícita por si só, a polícia identificou indícios de que os recursos seriam integrados a um circuito financeiro do crime organizado. Em paralelo, investigações na região de São Paulo resultaram na apreensão de 1.400 ASICs abastecidos também por energia irregular, fato noticiado nesta semana, embora as operações não tenham ligação oficial entre si.

Resultados, apreensões e próximos passos

Além das máquinas, as equipes recuperaram veículos, apreenderam drogas, armas e vários aparelhos celulares que poderão auxiliar no rastreamento de comunicações. A polícia informou que os materiais coletados servirão de base para indiciamentos e para identificar a cadeia financeira por trás da operação. As delegacias envolvidas seguirão com perícias técnicas em hardware, checagem de transações e cruzamento de dados para levar suspeitos à Justiça e desarticular os mecanismos usados para proteger a atividade ilícita.

Autor

Camilla Bellini

Camilla Bellini, ex-guia turística florentina, transformou a visita a Santa Maria Novella num projeto multimédia: agora dirige aprofundamentos sobre patrimónios locais. Na redação apoia itinerários slow, assina dossiers sobre pequenas oficinas e conserva o primeiro distintivo de guia da cidade como lembrança única.