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26 maio 2026

CSD BR fecha memorando com MEMX para usar matching engine estrangeiro

CSD BR avançou ao assinar um memorando com a americana MEMX para integrar um matching engine, um passo relevante rumo à criação de uma segunda bolsa de valores no Brasil, com investidores como BTG, Santander, CBOE, Citi, UBS e Morgan Stanley.

A empresa conhecida como CSD BR, que busca implantar uma alternativa de bolsa de valores no Brasil, assinou um memorando de entendimento com a americana MEMX. O documento abre caminho para a adoção do matching engine da MEMX, uma das principais fornecedoras globais dessa tecnologia. Para fins de clareza, entende-se aqui por matching engine o sistema que realiza o encontro e a execução das ordens em uma bolsa, determinando preço e prioridade de negociação em escalas que chegam a microsegundos.

Segundo o CFO da CSD, Daniel Miranda, o acordo é visto internamente como um marco operacional que pode reduzir tempo de implantação e aumentar competitividade. Ainda que o memorando tenha cláusulas em definição, a companhia analisa modelos técnicos e comerciais para cristalizar a parceria. A escolha de uma plataforma já testada por grandes players do mercado pode acelerar a entrada em operação, sem que se perca o controle estratégico sobre os processos críticos de negociação.

Os caminhos possíveis da parceria

Existem, em linhas gerais, duas alternativas sobre a mesa: um contrato comercial tradicional, em que a CSD BR pagaria pelo licenciamento do matching engine, ou uma associação societária que poderia resultar em uma joint venture entre as duas empresas. Cada fórmula traz implicações distintas para governança, compartilhamento de receita e atualizações tecnológicas. A opção por um modelo de equity, por exemplo, alinharia interesses de longo prazo entre a CSD e a MEMX, enquanto um acordo comercial puro reduziria a complexidade societária e permitiria maior autonomia imediata à CSD.

Vantagens operacionais do sistema

Na avaliação da gestão, o que diferencia fornecedores como a MEMX é a combinação entre estabilidade do sistema, latência extremamente baixa e consistência operacional. Para a CSD, é crucial que o matching engine entregue não só velocidade em microsegundos, mas também um desvio padrão reduzido nessa velocidade — ou seja, consistência nas execuções. Essas características influenciam diretamente a percepção de qualidade pelos participantes do mercado e a capacidade de competir com infraestruturas já consolidadas.

Andamento regulatório e autorizações

Nos últimos anos, a CSD avançou no aspecto regulatório: em dezembro de 2026, a empresa obteve do Banco Central as licenças necessárias para operar como depositária e como câmara de liquidação. Para fins didáticos, depositária refere-se ao ente que assegura a titularidade dos ativos, enquanto câmara de liquidação garante a entrega dos ativos contra pagamento. Essas autorizações foram marcos fundamentais, reduzindo o leque de pendências para que a CSD assuma operações essenciais de pós-negociação.

Última licença pendente

A única autorização ainda pendente é a de contraparte central (CCP), necessária para que a CSD possa atuar plenamente como bolsa ao assumir o risco central nas operações. O pedido para a licença de CCP já foi protocolado e a expectativa da companhia é que o processo seja concluído em 2027. A obtenção dessa licença será o passo final para que a CSD formalize a operação de uma nova bolsa, integrando a infraestrutura tecnológica e as funções de pós-negociação.

Investidores e captações

A trajetória financeira da CSD inclui várias rodadas de capital relevantes: há cerca de um ano antes do memorando com a MEMX, a companhia recebeu um aporte de R$ 100 milhões proveniente do Citi, UBS e Morgan Stanley. Em fases anteriores, captou R$ 50 milhões em investimentos de famílias influentes, entre elas controladores ligados a empresas como Suzano e Gerdau, e depois mais R$ 200 milhões com participação do Santander, BTG e da CBOE (Bolsa de Chicago). Esses aportes formam a base financeira para avanços em tecnologia e conformidade regulatória sob a liderança de Edivar Vilela Queiroz.

Autor

Edoardo Vitali

Edoardo Vitali coordenou a cobertura da reestruturação do mercado de peixe de Palermo, defendendo a linha editorial sobre transparência fiscal. Chefe de redação da economia, traz para a redação uma abordagem pragmática e um detalhe pessoal: ainda guarda cadernos das reuniões na Sala delle Lapidi.