O crescimento das cidades e a expansão do mercado imobiliário estão intrinsecamente ligados. À medida que novas áreas recebem infraestrutura e serviços, elas passam a atrair moradores, empresas e investimentos, transformando completamente o cenário urbano. Essa dinâmica foi o foco de uma discussão recente envolvendo especialistas do setor.
Gustavo Rezende, diretor comercial da Grand Construtora, destacou que essa relação é de mão dupla. Em alguns casos, o poder público direciona o crescimento, enquanto em outros, as construtoras identificam o potencial de uma região e aceleram sua transformação. “É uma via de mão dupla. Às vezes, a cidade nos aponta o vetor de crescimento, outras vezes, somos nós que identificamos o potencial”, explicou.
Identificando tendências antes da população
Rezende destacou que o setor imobiliário muitas vezes consegue antever tendências de desenvolvimento urbano. Um exemplo citado foi a região de Jockey de Itaparica, em Vila Velha. A localização estratégica, a proximidade com diferentes regiões do Estado e as possibilidades previstas na legislação urbanística foram fatores que indicaram o potencial de valorização da área.
A Grand Construtora apostou nesse cenário com o empreendimento Taj Home Resort, que está em obras avançadas. “Já dava para vislumbrar o que aconteceria 10, 15 anos depois”, afirmou o diretor comercial. Segundo ele, os terrenos da região chegaram a triplicar de valor durante o processo de valorização.
Infraestrutura e planejamento urbano
A relação entre novos prédios e infraestrutura urbana também foi um dos principais assuntos discutidos. Gustavo defende que o poder público deve ter um papel estratégico na distribuição da capacidade construtiva pela cidade, evitando a concentração excessiva de moradores em regiões já saturadas.
“Tem que ter esse olhar cuidadoso para que a coisa seja equilibrada. O poder público tem que ter esse olhar inteligente para guiar o mercado imobiliário e a coisa ficar fluida”, afirmou. Ele reforçou que o futuro das cidades passa pela capacidade de conciliar expansão imobiliária, infraestrutura, serviços e qualidade de vida.
Quando o poder público e a iniciativa privada conseguem atuar de forma coordenada, o crescimento deixa de ser apenas uma consequência do aumento da população e passa a fazer parte de um planejamento urbano capaz de criar novos polos de desenvolvimento.
Valorização imobiliária e qualidade urbana
O mercado imobiliário da Grande Vitória está vivendo um novo momento. Fatores como mobilidade, infraestrutura, áreas verdes, oferta de serviços e qualidade urbana passaram a ter peso decisivo na decisão de compra. Para especialistas, a valorização do entorno tornou-se um dos principais diferenciais em um cenário de forte expansão do setor.
Bruno Boechat, diretor administrativo da Octo Empreendimentos, afirmou que o comprador passou a analisar a experiência de viver na cidade como um todo. “O imóvel pode oferecer arquitetura diferenciada, áreas de lazer completas e excelente acabamento, mas o morador vive a cidade todos os dias”, destacou.
O levantamento do Sinduscon-ES mostra que Vila Velha e Serra lideram os vetores de expansão do mercado imobiliário, com previsão de 2.540 e 2.310 novas unidades, respectivamente. Atualmente, mais de 200 empreendimentos residenciais e comerciais estão em construção na Grande Vitória.
Boechat explicou que os maiores ciclos de valorização imobiliária costumam ser precedidos por investimentos públicos e privados que transformam uma região. “Os imóveis acompanham movimentos econômicos mais amplos. Quando uma cidade recebe investimentos em infraestrutura, logística, geração de empregos e planejamento urbano, ela atrai moradores, empresas e novos serviços”, afirmou.
A Serra é um exemplo desse processo. O fortalecimento do município como polo logístico e industrial amplia a atração de empresas e empregos, impulsionando o crescimento populacional e favorecendo o surgimento de novas centralidades urbanas.
Para quem investe, compreender os eixos de desenvolvimento econômico e urbano do Espírito Santo será cada vez mais importante do que observar apenas as características do empreendimento. “Uma cidade bem estruturada protege o valor do imóvel. Ela favorece a liquidez, amplia a demanda por locação e aumenta o potencial de valorização”, concluiu Boechat.



