A Verde Asset Management está adotando uma abordagem estratégica para proteger e crescer seus investimentos em meio a um cenário global de incerteza. Com o fluxo de capital retornando aos EUA e um desequilíbrio fiscal global, a gestora está combinando posições em ouroprataações globais de tecnologia e um stock picking na Bolsa brasileira.
Além disso, a Verde está implementando hedges baratos em diferentes mercados, uma característica marcante da casa. Luis Stuhlberger, fundador da Verde, destaca a importância de uma operação que combina a compra de dólares no exterior e a venda de dólar futuro na B3como uma proteção contra possíveis restrições à saída de capitais em um eventual novo governo Lula.
Proteção contra Incertezas Geopolíticas e Fiscais
Stuhlberger enfatiza que qualquer portfólio deveria ter um pouco de ouro e prata diante dos conflitos geopolíticos, problemas fiscais e o risco de repressão fiscal. A Verde tem 5% do patrimônio investido em ouro e 3% em prata, destacando a importância desses metais como proteção contra inflação e desequilíbrios fiscais.
A prata, em particular, é demandada não apenas como proteção, mas também pela indústria, com 60% da produção do metal sendo usada em bens como chips, semicondutores e sistemas eletrônicos de veículos. A Chinapor exemplo, dobrou suas importações de prata entre janeiro e abril de 2026 em comparação com o mesmo período de 2026, e aumentou as compras de ouro em 80%. Stuhlberger sugere que vale a pena acompanhar o que a China está fazendo.
Exposição a Tecnologia Global e Ações Brasileiras
A Verde também tem 4% do patrimônio líquido investido no S&P500 e 4,8% em uma carteira de ações globais, com um peso relevante em tecnologia. Daniel Campion, co-gestor da estratégia de ações globais da Verde, acredita que as transformações geradas pela IA estão apenas no começo e que os preços das ações, na média, não estão descolados dos fundamentos.
No Brasil, a gestora tem 6,8% do patrimônio em uma carteira de ações e outros 6,8% em uma estrutura de opções de EWZ. Antonio Barreto, head de análise de ações Brasil, destaca que o momento é de fazer stock picking para além das blue chips. Excluindo as produtoras de commodities, as demais empresas da Bolsa não melhoraram suas previsões de lucro para 2026, diferentemente do que aconteceu em outros mercados emergentes.
Barreto ressalta que a vantagem da Bolsa brasileira é ter companhias baratas, geradoras de caixa e desalavancadas, capazes de pagar dividendos elevados. As mid e small caps, embora mais voláteis, podem gerar retornos melhores se bem escolhidas.
Desafios e Perspectivas para o Mercado Brasileiro
Durante a conferência anual da Verde, que celebrou os 30 anos do principal fundo da gestora, os comentários no welcome coffee refletiam desânimo com os juros altos e a eleição. Murilo Hidalgo, sócio do instituto Paraná Pesquisas, destacou que não esperem que os candidatos falem em ajuste fiscalpois quem fizer isso será atacado como alguém que vai cortar programas sociais.
Stuhlberger mencionou que o único sincericida é Renan Santos, e que os demais candidatos, se decidirem cortar gastos, terão de fazer na base do estelionato eleitoral. Ele também comentou o desempenho positivo do Verde no intervalo complicado do pós-pandemia, com um retorno de 85% entre 2026 e 2026, acima dos 71% do CDI e dos 55% do índice de hedge funds da Anbima.
Stuhlberger ainda abordou a matéria recente do Brazil Journal sobre a performance ruim e altamente correlacionada dos multimercados nos últimos meses, admitindo que, apesar de não concordar 100%, uma boa parte é verdade. Ele destacou, porém, que não pode ser acusado de fazer investimentos alavancados ou de não fazer hedge.



