Os mercados financeiros globais estão sob os holofotes após as decisões recentes do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed). No Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao anoenquanto nos Estados Unidos, o Fed manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Essas mudanças têm gerado ondas de reação nos investimentos e nas expectativas dos mercados.
O iShares MSCI Brazil (EWZ)um ETF que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro, registrou alta de 0,23%cotado a US$ 34,19 às 19h40 (horário de Brasília) desta quarta-feira (17). Essa valorização ocorre após o anúncio do corte na Selic, que foi a terceira redução consecutiva promovida pelo Banco Central.
Copom reduz Selic para 14,25% ao ano
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,25% ao anoem linha com as expectativas do mercado. Essa decisão foi tomada após o fechamento do pregão regular, que havia encerrado com uma queda de 0,84% no EWZ, a US$ 34,12. O Ibovespa também registrou uma queda de 0,70%fechando aos 168.453,93 pontos.
No comunicado, o Copom destacou que o cenário externo permanece incerto devido ao conflito no Oriente Médioque impacta as condições financeiras globais. Além disso, as projeções para a inflação foram ajustadas para cima, com o IPCA estimado em 5,2% para 2026, acima do teto da meta de 4,5%.
Para o quarto trimestre de 2027, a estimativa de IPCA subiu de 3,5% para 3,7%. O Copom também anunciou uma trajetória alternativa para a Selic, visando a convergência da inflação ao centro da meta de 3% no primeiro trimestre de 2028.
Federal Reserve mantém juros e sinaliza mudanças
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, pela quarta vez consecutiva. Essa decisão foi unânime e ocorreu sob o comando de Kevin Warshque sinalizou mudanças na condução e comunicação da política monetária.
Uma das primeiras mudanças foi a exclusão do forward guidance no comunicado da decisão, que anteriormente afirmava que o FOMC avaliaria a magnitude e o momento de ajustes adicionais na taxa de juros. Durante a coletiva de imprensa, Warsh indicou que o Fed poderá promover mudanças em sua estratégia de comunicação com o mercado.
“Acho que os mercados funcionam melhor quando reagem aos dados que chegam. Funcionam menos eficientemente quando tentam responder à pergunta de como o Federal Reserve reagirá a essas informações“, afirmou Warsh. Ele também revelou que não enviou uma projeção para o dot plotconsiderando a ferramenta não particularmente útil para a condução da política monetária.
No dot ploto Comitê apontou para uma nova alta de 25 pontos-base nos juros até dezembro, além de elevar as estimativas para a inflação, medida pelo índice de gastos com consumo (PCE), de 2,7% para 3,6% em 2026. Após a decisão e as falas de Warsh, o mercado adiantou a aposta de elevação nos juros, com 66,3% de chance de o Fed elevar os juros em setembro.
Impacto nos mercados globais
Os índices de Wall Street fecharam em queda: o Dow Jones recuou 0,98%aos 51.492,55 pontoso S&P 500 teve baixa de 1,21%aos 7.420,10 pontose o Nasdaq encerrou com recuo de 1,35%aos 26.021,656 pontos.
No Brasil, o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1077com alta de 0,41%em linha com o DXY. O mercado financeiro iniciou a semana em compasso de espera, com o Ibovespa em dólar registrando alta de 0,12% no pré-market do EWZ, cotado a US$ 34,68.
Investidores direcionam o foco para as decisões de política monetária do Federal Reserve e do Copom na chamada Super Quarta. A agenda carregada de indicadores, como IPC-S e IGP-10e a reunião técnica do Copom neste primeiro dia reforçam a cautela, mas o movimento do real e do índice em moeda americana sugere otimismo moderado.



