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29 julho 2026

Banco de Brasília busca soluções para crise de capital após compra do Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) busca soluções para um rombo de R$ 12 bilhões após a compra de ativos duvidosos do Banco Master. Descubra os detalhes das negociações e os desafios enfrentados.

Banco de Brasília busca soluções para crise de capital após compra do Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) está em meio a um complexo processo de recuperação financeira após a aquisição de 58% do capital do Banco Master, em março de 2026, por um valor estimado em R$ 2 bilhões. A operação, que inicialmente parecia promissora, revelou-se problemática devido à compra de ativos duvidosos, resultando em um rombo de pelo menos R$ 12 bilhões no balanço do BRB.

O BRB, controlado majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal (GDF), afirma que as medidas para fortalecer sua estrutura de capital estão em andamento, seguindo critérios técnicos, regulatórios e de governança. A instituição mantém um diálogo permanente com o regulador, conforme as normas aplicáveis, e assegura que continua operando normalmente.

Negociações com bancos privados e o FGC

Uma reunião técnica na Federação Brasileira de Bancos (Febraban) está marcada para discutir a situação do BRB. O Banco do Brasil lidera as discussões com os bancos do S1 (Itaú, Bradesco, Caixa, Santander, BTG e o próprio BB) sobre a fiança necessária para a operação de empréstimo de R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Os bancos privados, no entanto, têm dúvidas sobre as garantias oferecidas pelo GDF, que incluem repasses dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e Municípios (FPM). Eles argumentam que essas garantias seriam inconstitucionais, conforme o artigo 167, parágrafo 4, que permite a vinculação de receitas apenas para pagamento de débitos com a União.

Impasse nas negociações

O Ministério da Fazenda, que liderou as negociações do acordo do BRB com o STF, não vê óbices jurídicos para que os bancos públicos e privados aceitem as contragarantias dos fundos de participação. No entanto, o impasse persiste. Bradesco, Itaú e Santander têm sido mais vocais, enquanto o BTG adota uma postura mais neutra.

Uma alternativa ventilada é que o Banco do Brasil (BB) e a Caixa ofereçam a fiança usando os recursos do FPM/FPE como garantia e, posteriormente, repassem essa responsabilidade para os bancos privados. No entanto, BB e Caixa indicam que a chance de isso acontecer é zero. “A questão está cada vez mais enroscada. Os privados não aceitam os recursos do FPM/FPE e os públicos não vão bancar sozinhos”, afirma um interlocutor a par das negociações.

Dificuldades e perspectivas

O BRB enfrenta a deterioração contínua de sua situação financeira. Recentemente, o banco desfez um acordo com a gestora Quadra, anunciado em abril, pelo qual receberia entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. Apesar disso, o BRB afirma que as tratativas relacionadas à operação de empréstimo prevista no acordo homologado pelo STF seguem em andamento.

“O banco permanece confiante na conclusão das medidas estruturantes previstas para o fortalecimento de sua posição de capital”, afirma o BRB. No entanto, o mercado tem dúvidas se o empréstimo de R$ 6,6 bilhões será suficiente para sanar os problemas do banco. “Esse montante poderia acabar como uma ‘gota em uma chapa quente’, diante da insuficiência de capital”, comenta uma fonte.

Enquanto isso, a situação do BRB continua a se deteriorar. O banco não apresenta balanço há mais de um ano, e ninguém sabe exatamente o tamanho do rombo. A fiança é uma condição necessária para que o BRB possa começar as negociações com o FGC, mas a instituição já perdeu sucessivos prazos estabelecidos por ela mesma, e nenhuma das partes acredita em uma solução rápida.