O mercado de aviação brasileiro recebeu um novo ajuste no custo do combustível quando a Petrobras informou, em comunicado, o aumento médio de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), o que representa um acréscimo de R$ 1,00 por litro em relação ao mês anterior. A decisão, anunciada em 1º de maio de 2026, segue a fórmula de paridade internacional usada pela estatal há mais de duas décadas e vem em um momento de alta internacional do petróleo causada por tensões geopolíticas.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) reagiu chamando atenção para os efeitos sobre a malha aérea, argumentando que o principal componente de custo do setor já acumulou uma alta de 100% desde o início dos reajustes ligados aos choques externos, e ressaltou que o país poderia adotar medidas para amenizar o impacto sobre a população por produzir internamente grande parte do QAV.
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Como funciona o reajuste e o que muda no curto prazo
A Petrobras explica que o valor do QAV é calculado por uma fórmula de paridade internacional que busca manter equilíbrio com os preços externos, ao mesmo tempo que atua como um amortecedor em relação a flutuações imediatas do mercado global. Nesta rodada de revisão, além do reajuste, a empresa ofereceu às distribuidoras a possibilidade de parcelamento do impacto em até seis parcelas, com a primeira vencendo em julho de 2026, repetindo a alternativa empregada no mês anterior, quando o aumento chegou a 54%.
Parcelamento e efeitos na cadeia
O parcelamento tem o objetivo declarado de preservar a demanda e reduzir o choque imediato nos custos das companhias aéreas e outras operações aeroportuárias. Em termos práticos, a Petrobras vende o combustível às distribuidoras, que então realizam o transporte e a comercialização para as empresas aéreas e outros clientes finais nos aeroportos. A estatal concentra cerca de 85% da produção de QAV, mas o mercado permanece aberto à concorrência e à importação por terceiros.
Contexto internacional e impacto nos preços
A alta do preço do barril de petróleo foi impulsionada por conflitos no Oriente Médio, com episódios que afetaram rotas e produção em pontos estratégicos como o Estreito de Ormuz. O aumento do preço do barril tipo Brent para patamares próximos a US$ 120 mostrou pressão sobre os custos globais; antes das tensões, a cotação estava perto de US$ 70, representando um salto superior a 70%. Esse cenário externo explica parte da necessidade de ajuste nos preços praticados internamente.
Repercussões para tarifas e operação
Para o setor aéreo, o QAV representa quase metade dos custos operacionais, segundo a Abear. Assim, aumentos sucessivos tendem a pressionar tarifas e a sustentabilidade financeira das empresas de transporte aéreo, principalmente em rotas com menor demanda. O efeito combinado de reajustes do combustível, despesas fixas de operação e eventuais medidas de contingência pelo governo pode definir a velocidade de recuperação da conectividade em regiões mais remotas.
Medidas governamentais e alternativas ao choque
O governo federal adotou providências para mitigar o impacto imediato: zerou as alíquotas federais do PIS e da Cofins incidentes sobre o QAV, medida válida até 31 de maio, além de outras ações como adiamento de pagamentos de tarifas de navegação aérea. Também foram anunciados mecanismos de crédito de R$ 9 bilhões para companhias aéreas operados pelo BNDES e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil, com o objetivo de preservar caixa e manter a operação.
Perspectiva e desafios
Apesar das medidas de alívio, o setor enfrenta um quadro de incerteza enquanto a volatilidade do mercado internacional persistir. A Abear defende que, por conta da produção doméstica do QAV, existem condições técnicas e regulatórias para reduzir o repasse integral dos choques externos à população, mas isso dependerá de articulação entre empresas, refinarias e governo. O desafio imediato é equilibrar sustentabilidade empresarial e manutenção da conectividade aérea, sobretudo em um contexto em que aumentos recentes já somaram uma variação expressiva nos custos.
Em suma, o anúncio de reajuste em 1º de maio de 2026 representa mais uma etapa de ajuste de preços em um ambiente marcado por tensões geopolíticas, e as respostas — do parcelamento ofertado pela Petrobras às medidas fiscais e de crédito governamentais — serão determinantes para o próximo ciclo de estabilidade ou nova pressão sobre tarifas e serviços aéreos no Brasil.
