Nos primeiros nove meses de 2026, os três maiores bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander – responderam por cerca de 55% dos recursos destinados à compra de imóveis, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Logo após a reeleição do presidente, os custos do crédito habitacional começaram a subir de forma significativa, gerando preocupação entre quem planeja adquirir a casa própria.
Elevações de taxa nos principais bancos privados
O Bradesco anunciou que a taxa básica para novos contratos passou de 11,99% ao ano + TR para 15% ao ano + TR, enquanto a linha Private subiu de 11,70% para 13,60% ao ano + TR. O Itaú Unibanco elevou a taxa mínima para 12,95% ao ano + TR; no segmento Private, o valor inicia em 12,89% + TR, e para não correntistas pode chegar a 14,85% + TR. Por fim, o Santander aumentou sua taxa base de 11,69% ao ano + TR para 12,49% ao ano + TR. Cada um desses reajustes foi justificado pelos bancos como reflexo da alta dos juros futuros no mercado de capitais.
Por que os juros futuros puxam os custos do crédito habitacional
Os juros futuros são projeções de mercado para as taxas que vigorarão nos próximos meses e anos, baseadas nas expectativas de inflação, contas públicas e atividade econômica. Após a segunda volta das eleições, o rendimento dos títulos públicos de cinco anos subiu de 12,87% para 15,39%, um aumento superior a 2,5 pontos percentuais. Essa elevação encarece a captação de recursos pelos bancos, que em parte financiam o crédito imobiliário com instrumentos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Quando a curva de juros sobe, o custo da captação também aumenta, e o repasse ao consumidor se traduz em taxas mais altas.
Impactos no mercado e comentários de especialistas
A especialista em crédito habitacional, Juliana Akamine, apontou que o reajuste médio ultrapassa 3 pontos percentuais ao ano para a maior parte dos clientes, o que pode reduzir o poder de compra e encarecer significativamente as parcelas. Ela destaca ainda que a maior parte do financiamento ainda ocorre pelo SFH, cujo teto legal é de 12% ao ano; com as novas taxas, as operações de Bradesco, Itaú e Santander já ultrapassam esse limite e migram para o SFI, onde as condições são negociadas livremente. Isso impede o uso do FGTS como entrada ou amortização, prejudicando quem depende desse recurso.
O que o consumidor deve observar antes de fechar o contrato
Para evitar surpresas, a recomendação central é comparar simulações entre os bancos e analisar o Custo Efetivo Total (CET), que agrega juros, TR, seguros, tarifas e demais encargos. Não basta olhar apenas a taxa nominal. Também é essencial verificar qual índice será usado para a correção do saldo devedor: a maioria dos contratos ainda utiliza a TR, mas linhas atreladas ao IPCA costumam oferecer juros menores e podem ser mais vantajosas. Por fim, o sistema de amortização – SAC (parcelas decrescentes) ou Price (parcelas fixas) – influencia o valor total pago ao final do prazo.
Perspectivas e o papel da Caixa Econômica Federal
A Caixa Econômica Federal, líder absoluto com quase 50% de participação no crédito imobiliário, ainda não se pronunciou sobre possíveis reajustes, alegando estar em período de silêncio antes da divulgação de seus resultados. O mercado aguarda ainda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 3 e 4 de novembro, que deverá definir a nova taxa Selic. Enquanto isso, os consumidores devem manter a atenção nas variações dos juros futuros e buscar alternativas que melhor se adequem ao seu perfil financeiro.



