A Brasil Bitcoin Serviços Digitais Ltda. (Brasil Bitcoin) entrou em destaque ao revelar um embate intenso entre os seus sócios-administradores. Documentos registrados na Junta Comercial de São Paulo, analisados por jornalistas, apontam que a disputa foi oficialmente divulgada na manhã de quarta-feira, 7 de outubro. A exchange, que figura entre as quatro com maior volume negociado nas últimas 24 horas segundo o Mercado Cripto vê sua governança ameaçada por acusações cruzadas de quebra de contrato e supostas práticas lesivas ao crescimento da empresa.
Acusações e pedido de exclusão de Erick Crus
Erick Carlos Castilho Crus detém 40 % do capital social da Brasil Bitcoin. Os demais sócios-administradores, Jorge de Almeida Alves e Marco Vinicius Castellari apresentaram um edital solicitando a retirada compulsória de Crus, alegando falhas de conduta e ameaças ao desenvolvimento contínuo da plataforma. No documento, os dois argumentam que a postura do acionista minoritário cria desarmonia entre os cotistas, prejudicando a sobrevivência no ecossistema de criptoativos. O estatuto da empresa e o artigo 1.085 do Código Civil são citados como fundamentos legais para a exclusão, garantindo, porém, o direito à ampla defesa.
Contra-oferta de Erick Crus: destituição e auditoria externa
Em resposta, Crus apresentou duas propostas separadas, ambas exigindo a destituição de Alves e Castellari de seus cargos de administração. Além disso, ele requisitou a contratação de uma auditoria independente para analisar detalhadamente as contas, repasses e registros operacionais da corretora. O pedido enfatiza a necessidade de preservação integral de todos os documentos, permitindo que especialistas externos realizem uma avaliação imparcial. Essa iniciativa evidencia a ruptura de confiança entre as partes e levanta dúvidas sobre quem controlará os ativos guardados na plataforma.
Assembleia extraordinária: nova data e formato híbrido
O primeiro encontro, previsto para a manhã de 7 de outubro não atingiu o quórum mínimo porque Crus faltou, impossibilitando a votação. A empresa, então, emitiu um segundo edital convocando os sócios para segunda-feira, 12 de outubro. A reunião será realizada em formato híbrido: presencialmente nas dependências do escritório de advocacia Mattos Filho na capital paulista, e virtualmente via plataforma de videoconferência, mediante envio prévio de documentos de identidade validados. A pauta mantém todos os itens previamente listados, incluindo a discussão sobre a perda de procurações e acessos a contas operacionais, bem como a adoção de uma mediação prévia obrigatória antes de medidas judiciais extremas.
Impactos regulatórios e cenário do mercado brasileiro
O desdobramento interno ocorre em meio a uma onda de encerramentos de corretoras brasileiras, motivada por recentes resoluções do Banco Central que têm tirado do mercado nomes como Bitybank, Coinext e NovaDAX. A Brasil Bitcoin ainda está em fase de credenciamento perante o regulador, cujo prazo final se encerra em 30 de outubro. Ainda não está claro se o embate societário atrasará ou comprometerá a obtenção da autorização, mas a situação adiciona mais incerteza a um setor já fragilizado.



