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4 outubro 2026

Investimentos recordes de Lula e corrida apertada com Flávio

Lula bate Bolsonaro em investimentos e a corrida presidencial se encaminha para um segundo turno disputado.

Investimentos recordes de Lula e corrida apertada com Flávio

A partir de 2023, a mudança na política externa e nas diretrizes ambientais do Brasil voltou a atrair capital estrangeiro para projetos de transição energética e para a expansão de linhas de transmissão. Essa reviravolta coincidiu com a maturação de reformas regulatórias iniciadas nos governos anteriores, permitindo que leilões de saneamento básico realizados em 2021 e 2022 gerassem exigências de investimentos físicos a partir do terceiro ano de contrato, concentrando desembolsos no atual mandato.

Segundo especialistas em infraestrutura, o impulso conseguido por Lula não seria possível sem a atuação pragmática do ex-ministro dos Transportes Renan Filho. Ele montou uma equipe de técnicos que viajou ao exterior divulgando o plano de obras, culminando em um número recorde de licitações – especialmente em 2025 – que transformou o país em um dos principais destinos de capital privado para grandes obras de infraestrutura.

Investimentos públicos e privados sob a administração Lula

Os contratos de concessão e as Parcerias Público-Privadas (PPP) cresceram tanto nos governos de direita quanto nos de esquerda, reflexo da restrição fiscal que impede o Estado de financiar sozinho a agenda de obras. O consenso entre economistas indica que, para reduzir o déficit de infraestrutura, o Brasil precisa destinar entre 4% e 4,5% do PIB anualmente – algo ainda distante dos atuais 2,3%.

No setor de saneamento básico, a projeção de investimentos privados chegou a R$ 77,2 bi, um salto de 418% em relação ao período anterior. Quando se isolam os três primeiros anos de cada mandato, o fluxo de recursos subiu de R$ 9,9 bi sob Bolsonaro para R$ 49,6 bi com Lula, representando um aumento de 401%.

Fatores que impulsionaram o salto de recursos

Do ponto de vista regulatório, o novo marco legal do saneamento criou garantias de receita que tornaram os projetos mais atraentes para investidores. Além disso, o ambiente político favorável – com o governo enfatizando metas de energia limpa e modernização de redes – reduziu a percepção de risco. A combinação de leilões recordes e de uma agenda de obras de curto prazo, alinhada com a necessidade de resultados visíveis, criou um ciclo virtuoso de captação de recursos.

Entretanto, as vozes do setor ainda alertam que o total de investimentos ainda está aquém do recomendado. A meta de R$ 507 bi por ano, calculada por grupos de especialistas, representa apenas uma fração dos valores atualmente mobilizados, indicando que ainda há grande margem para ampliar o aporte privado sem sobrecarregar as contas públicas.

Panorama da disputa presidencial

Ao mesmo tempo em que os números de investimentos sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva crescem, as pesquisas divulgadas recentemente apontam para uma corrida presidencial extremamente equilibrada. O atual mandatário, que busca a reeleição, enfrenta o senador Flávio Bolsonaro, do PL, em um duelo que, segundo as sondagens, deve se decidir apenas no segundo turno, previsto para três semanas a partir de agora.

Para vencer no primeiro turno, um candidato precisaria obter mais de 50% dos votos válidos – excluindo brancos e nulos – condição ainda não alcançada por nenhum dos concorrentes nas últimas medições. Essa realidade mantém a disputa em aberto e aumenta a importância das estratégias de campanha nos últimos dias de campanha.