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28 setembro 2026

US e China anunciam corte de US$60 bi em tarifas e criam canal de IA

Trump e Xi chegam à mesa e reduzem tarifas, sinalizando nova fase de cooperação entre as duas maiores economias.

US e China anunciam corte de US$60 bi em tarifas e criam canal de IA

Na última semana, o presidente chinês Xi Jinping encontrou-se com Donald Trump em Washington para uma segunda cúpula bilateral que acabou por redefinir a lógica da disputa comercial entre as duas potências. O principal resultado foi um acordo de redução de tarifas que deve eliminar US$60 bilhões em encargos recíprocos, além de criar um novo canal de comunicação sobre inteligência artificial e alinhar posições estratégicas em questões como a não proliferação nuclear iraniana.

O encontro trouxe à tona oito entendimentos básicos, entre eles a promessa de uma “estabilidade estratégica construtiva” baseada em respeito, equidade e reciprocidade. Apesar de não ter incluído o tema de segurança em torno de Taiwan nos documentos publicados, os líderes discutiram a questão em sessões privadas, mantendo viva a tensão, porém demonstrando vontade de criar mecanismos que evitem um conflito direto.

Concessões tarifárias e novos caminhos comerciais

Os dois países concordaram em conceder tratamento tarifário mais favorável para US$30 bilhões de bens em cada direção, abrangendo produtos que não são considerados sensíveis. Nos EUA, a lista inclui milho, trigo, carnes, laticínios e outros alimentos agrícolas, enquanto a China abrirá o mercado a pequenos eletrodomésticos como cafeteiras, torradeiras, além de brinquedos, fogos de artifício e decorações de Natal. O acordo, porém, deixa fora da redução a soja, que continua sujeita a tarifas vigentes.

Além das tarifas, a negociação estabeleceu canais permanentes para tratar questões de comércio e investimento, bem como cooperação contra drogas sintéticas. Uma extensão da trégua comercial foi firmada até 10 de janeiro, oferecendo um ambiente mais estável para empresas de ambos os lados planejarem suas cadeias de suprimentos.

Diálogo em IA, segurança e questões geopolíticas

Em paralelo ao comércio, os presidentes criaram um canal de diálogo sobre inteligência artificial com compromisso de trocar avaliações sobre riscos e benefícios da tecnologia e de manter comunicação sobre incidentes até o final de novembro. No âmbito da segurança, os militares dos dois países avançaram rumo a um memorando de comunicação para prevenção de crises, lembrando até mesmo a cooperação da Segunda Guerra Mundial como referência de confiança mútua.

Sobre o Irã, ambos reafirmaram a necessidade de impedir que o país desenvolva armas nucleares e garantir a livre navegação das rotas marítimas internacionais, essenciais ao comércio global de energia. Embora os temas de Taiwan e da presença militar chinesa no Pacífico permaneçam sensíveis, a inclusão de linguagem de respeito e reciprocidade indica que Pequim buscou garantir que sua demanda por igualdade entre as partes seja reconhecida.

Repercussões para o Brasil e possibilidades de atuação

Para o Brasil, a diminuição das tensões entre os dois maiores parceiros comerciais do mundo pode significar maior previsibilidade em exportações agrícolas, investimentos e acesso a financiamentos. As próximas reuniões da APEC que será sediada pela China, e do G20 com os Estados Unidos como anfitriões, oferecem oportunidades concretas para que o país sul-americano proponha projetos de infraestrutura, energia limpa e fortalecimento do Mercosul.

Se o Brasil conseguir alavancar sua produção agroindustrial e mineral, atrair tecnologia em energia renovável e propor mecanismos de pagamento em moedas locais, poderá transformar a relação triangular em uma vantagem competitiva, em vez de escolher entre Pequim e Washington. Assim, a nova agenda bilateral abre precedentes para cooperação, mas exige vigilância constante para que os compromissos firmados sejam efetivamente cumpridos.