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19 setembro 2026

Café: 46% do valor são tributos, veja o impacto nas famílias

Café pesa no orçamento: quase metade do preço é imposto e a diferença entre lojas pode chegar a quase dobrar.

Café: 46% do valor são tributos, veja o impacto nas famílias

O café ocupa lugar de destaque nas mesas brasileiras, mas o que muitos consumidores não percebem é o peso que a carga tributária tem sobre o valor final do produto. Estudos indicam que 46% do preço pago pelo grão já está destinado ao pagamento de impostos, um percentual semelhante ao observado em outros itens essenciais como açúcar e energia elétrica.

Essa alta incidência de tributos tem origem em diversos encargos federais, estaduais e municipais, que são destinados a financiar saúde, educação, segurança e infraestrutura. Quando o consumidor abre a embalagem de um café de um quilo, grande parte do valor contabilizado nas notas fiscais corresponde a essas arrecadações, o que reduz o poder de compra das famílias, sobretudo nas camadas de menor renda.

Carga tributária do café no Brasil

O imposto que incide sobre o café engloba o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e, em alguns casos, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. Juntos, esses tributos representam quase metade da composição do preço ao consumidor final. O fato de o Brasil ser o maior produtor e exportador mundial de café exige que o governo mantenha receitas robustas para sustentar políticas públicas, mas o alto ônus recai sobre o mercado interno, criando um descompasso entre o preço internacional, que costuma ser mais competitivo, e o preço doméstico, marcado por carga fiscal elevada.

Pesquisa do Procon em Campo Grande evidencia variação de até 88% nos preços

Entre os dias 2 e 4 de setembro, o Procon Municipal de Campo Grande realizou um levantamento comparativo em oito estabelecimentos, analisando 38 produtos de diferentes marcas, tipos e embalagens. O resultado mostrou disparidades impressionantes: o mesmo pacote de 500 g do Café do Ponto, vendido a vácuo, foi encontrado por R$ 23,90 em um atacadista e por R$ 44,99 em um supermercado da avenida Álvares de Azevedo, configurando uma diferença de 88,24%.

Outras marcas apresentaram oscilações relevantes. O Café Três Corações tradicional a vácuo (500 g) variou entre R$ 21,90 e R$ 37,99, o que equivale a 73,47% de diferença. Já o Pilão a vácuo de 250 g registrou valores entre R$ 12,45 e R$ 20,99, diferença de 68,59%. Essas variações demonstram que, além da carga tributária, o preço final depende fortemente da política de precificação de cada estabelecimento.

Impacto no orçamento familiar

Para o consumidor médio de Campo Grande, escolher o ponto de compra pode significar economizar até R$ 21,09 em um único pacote de café. O superintendente do Procon, José Costa Neto, ressalta que a comparação de preços é um “instrumento de economia expressiva” para famílias que consomem o produto diariamente. Além da escolha da loja, é recomendável observar a marca, o tipo de torra (tradicional ou extraforte) e eventuais promoções, pois esses elementos influenciam o saldo final da conta de supermercado.

Os dados da pesquisa ficam disponíveis para consulta nos canais eletrônicos do Procon, permitindo que consumidores verifiquem a variação antes de efetuar a compra. Enquanto a carga tributária continua representando quase a metade do preço do café em todo o país, fatores locais como concorrência, estratégia de estoque e negociação com fornecedores podem ampliar ou reduzir significativamente o valor pago nas prateleiras.