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15 setembro 2026

Como o petróleo e a agropecuária impulsionaram o superávit comercial do Brasil em 2026

O Brasil está experimentando um superávit comercial significativo em 2026, impulsionado principalmente pelo petróleo e pela agropecuária, enquanto a indústria de transformação enfrenta desafios.

Como o petróleo e a agropecuária impulsionaram o superávit comercial do Brasil em 2026

O comércio exterior brasileiro está vivendo um momento de destaque em 2026, com um superávit comercial robusto impulsionado principalmente pelo setor extrativo especialmente o petróleo bruto. Esse cenário é moldado por um complexo contexto geopolítico, preços elevados de energia e incertezas comerciais globais. A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou recentemente o Indicador de Comércio Exterior (Icomex) que oferece uma análise detalhada dessa dinâmica.

O relatório da FGV destaca a assimetria setorial nas relações comerciais com os principais parceiros do Brasil. De janeiro a agosto de 2026, o país registrou superávit em agropecuária e extrativa enquanto a indústria de transformação apresentou déficits recorrentes com a ChinaUnião Europeia e Estados Unidos.

Petróleo e agropecuária lideram as exportações

O petróleo bruto tem ganhado um peso significativo nas exportações brasileiras. Em agosto de 2026, o petróleo representou 14,6% das vendas externas, superando a soja que teve uma participação de 13,3%. No acumulado até agosto, a soja ainda lidera com 15,7% seguida pelo petróleo com 14,7%.

A FGV estima que o saldo do petróleo bruto somou US$ 32,3 bilhões no ano até agosto. Incluindo o déficit de derivados, de US$ 4,9 bilhões o saldo líquido do conjunto petróleo e derivados fica em US$ 27,3 bilhões equivalente a 49,4% do superávit total do período. Esse impulso recente está associado ao conflito no Irã e seus efeitos sobre os preços e rotas de comércio, que têm elevado os valores do petróleo e derivados.

Desafios da indústria de transformação

A indústria de transformação enfrenta desafios significativos. Dos 23 setores manufatureiros, o Brasil registra déficits com 18 setores no comércio com a China, 17 na União Europeia e 12 nos Estados Unidos. Apenas três setores são superavitários nos três mercados analisados: produtos alimentíciosprodutos de fumo e celulose.

Para a FGV, os Estados Unidos oferecem mais oportunidades para ampliar exportações manufatureiras, e a União Europeia poderia seguir caminho semelhante dependendo dos desdobramentos do acordo com o Mercosul. Na China, o avanço em novos segmentos depende dos investimentos que o país venha a realizar no Brasil.

Perspectivas para 2026

O relatório da FGV aponta para um superávit maior em 2026 em comparação com 2025, apoiado principalmente pelo setor extrativo, com o petróleo como principal vetor. Enquanto isso, a indústria de transformação continua sendo um foco de vulnerabilidade nas contas bilaterais com os grandes parceiros comerciais do Brasil.

Além disso, o Boletim Focus do Banco Central (BC) será observado com atenção pelos participantes do mercado, às vésperas das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 caiu de 5,01% para 5,00% segundo o relatório Focus.

Autor

Bruno Costa