Em um evento promovido pelo Esfera Brasil nesta segunda-feira (14), André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual compartilhou suas perspectivas sobre o ajuste fiscal necessário para o Brasil. Segundo ele, a busca pelo equilíbrio fiscal não é uma questão ideológica, mas uma responsabilidade com a sociedade.
Esteves destacou que o ajuste fiscal deve ser abordado de forma equilibrada, considerando tanto a redução de despesas quanto a correção de distorções no sistema tributário. Ele enfatizou que o volume de títulos isentos de impostos no país é completamente absurdo mesmo reconhecendo que ele próprio é detentor e emissor desses títulos.
Distorções tributárias e eficiência na arrecadação
O executivo do BTG Pactual argumentou que há espaço para aumentar a eficiência da arrecadação sem necessariamente elevar a carga tributária. Ele citou como exemplo os títulos que contam com isenção de impostos, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
Esteves afirmou que a discussão fiscal não pode se limitar à criação ou aumento de tributos. Ele destacou que o crescimento da despesa pública tem sido insustentável, e que um eventual ajuste fiscal deveria combinar medidas dos dois lados do orçamento, mas com preferência por alternativas que não aumentem a carga tributária.
Eficiência do gasto público e flexibilidade orçamentária
Questionado sobre a necessidade de um eventual tesouraço ou de um ajuste mais cirúrgico nas contas públicas, Esteves afirmou que o país não precisaria necessariamente de nenhuma das duas abordagens. Ele sugeriu que existem medidas capazes de elevar a eficiência do gasto público independentemente de quem esteja no comando do país.
Para ilustrar seu argumento, Esteves citou as regras que estabelecem pisos de gastos para áreas como saúde e educação e vinculam recursos públicos a determinadas despesas. Ele explicou que essas regras podem levar a situações em que municípios são obrigados a gastar com áreas que não atendem às necessidades locais, como a construção de hospitais em regiões que precisam de investimentos em educação.
Perspectivas econômicas e eleitorais
Esteves também abordou as perspectivas econômicas e eleitorais do país. Ele afirmou que o Brasil está em um momento muito melhor do que no passado, mas ainda há um último passo a ser dado para a consolidação da estabilidade econômica: a redução dos juros para patamares civilizados.
Ele destacou que uma taxa de juros de 14% é sufocante para qualquer empresa, incluindo os bancos. Esteves acredita que levar os juros para 7% é perfeitamente possível e teria um enorme impacto na sociedade, valendo mais do que qualquer programa social.
Sobre as eleições, Esteves afirmou que a disputa está empacada, com pequenas variações marginais entre os levantamentos e candidatos. Ele previu que a eleição será decidida no segundo turno, com um empate técnico entre os principais candidatos.



