A Squadra investimentos anunciou uma redução significativa em sua participação na Hapvida, passando de 5,15% para 3,87%. Em uma carta aos cotistas, a gestora classificou esse investimento como o maior erro de sua história, destacando os desafios enfrentados e as lições aprendidas.
Essa decisão vem após um período de reavaliação estratégica e esforços para melhorar a governança da empresa. A Squadra, que recentemente elegeu três conselheiros para o board da Hapvida, continua comprometida com a melhoria da gestão, apesar da redução na participação acionária.
Os desafios do investimento na Hapvida
A Squadra assumiu a responsabilidade pelos maus resultados decorrentes do investimento na Hapvida. A gestora admitiu que pagou um preço elevado pela empresa e subestimou os desafios trazidos pela quantidade de ativos adquiridos. Em 2026, os fundos da Squadra apresentaram desempenho abaixo do esperado, com valorizações de 29,4% e 27,7% para os fundos Long-Biased e Long-Only, respectivamente, enquanto o Ibovespa subiu 34%.
No primeiro semestre de 2026, a situação se agravou, com os fundos caindo 5,1% e 6,2%, enquanto o Ibovespa subiu 6,8%. A Squadra reconheceu que falhou em três dimensões críticas: o preço pago, as perspectivas do negócio e a avaliação dos administradores. A gestora acredita que a solução para a Hapvida passa por desinvestimentos e simplificação do grupo, mas alerta para os desafios de uma recuperação rápida devido ao alto endividamento e à deterioração operacional.
A estratégia de desinvestimento e simplificação
A Squadra vê a venda de ativos e a simplificação do grupo como a principal saída para a Hapvida. A gestora acredita que, se a agenda de alocação de capital contemplar de forma abrangente as unidades adquiridas, incluindo a subsidiária Notre Dame Intermédica, a ação poderia se multiplicar algumas vezes. No entanto, a Squadra não nutre ilusões sobre a facilidade dessa travessia, destacando o custo de oportunidade elevado e a pressão dos vencimentos das dívidas.
Além disso, a Squadra está direcionando recursos para outras ações que sofreram fortes quedas, como Nubank e Mercado Livre. A gestora enxerga potencial nesses investimentos, especialmente considerando os altos retornos prospectivos e as oportunidades de crescimento.
O futuro da Hapvida e a posição da Squadra
Apesar da redução na participação, a Squadra reafirmou seu compromisso em melhorar a governança da Hapvida. A gestora acredita que a eleição de conselheiros independentes é um passo importante para alinhar os interesses da empresa com os de seus acionistas. No entanto, a Squadra reconhece que o caminho para a recuperação é longo e desafiador, exigindo uma gestão eficiente e uma estratégia clara de desinvestimento.
As ações da Hapvida recuaram 1,26% no dia 24 de agosto, fechando a R$ 6,28. No ano, os papéis acumulam queda de 56,9%, levando o valor de mercado a R$ 3,16 bilhões. A Squadra continua monitorando de perto a situação, mas está clara sobre os erros cometidos e os ajustes necessários para o futuro.



