O cenário econômico brasileiro pós-eleições de 2026 tem gerado preocupação entre os investidores. O Morgan Stanley publicou um relatório detalhando os possíveis impactos das eleições no mercado financeiro, destacando um cenário adverso que poderia levar a uma queda significativa no Ibovespa.
O banco projeta que, no pior cenário, o índice pode cair cerca de 35% em dólar ou 25% em reais. Essa projeção está baseada na ausência de um plano fiscal crível por parte do próximo governo, o que poderia desencadear uma série de efeitos negativos na economia.
O impacto do cenário fiscal nas empresas
De acordo com o relatório, as empresas domésticas, exceto as do setor bancário, poderiam sofrer um desempenho significativamente pior em um cenário de continuidade da política econômica atual. Isso se deve à compressão de múltiplos e ao impacto nos lucros. Empresas exportadoras e bancos teriam um desempenho mais amortecido.
O Morgan Stanley acredita que o mercado está subestimando os riscos. Enquanto os investidores esperam que o Brasil consiga se ajustar, o banco alerta para um possível ciclo de prêmios de risco mais altosdesvalorização do realafrouxamento monetário limitadoatividade econômica mais fraca e deterioração da dinâmica da dívida.
Cenários otimistas e pessimistas
O relatório do Morgan Stanley apresenta dois cenários distintos. No cenário otimista, um plano fiscal plurianual crível poderia reduzir os prêmios de risco, fortalecer o real e desbloquear o afrouxamento monetário antes da melhoria do saldo primário. Nesse caso, o crescimento econômico poderia chegar a 1,5% e a Selic cair para 9,75%.
No cenário pessimista, o crescimento seria de apenas 0,2% com a Selic em 15,5%. A dívida pública continuaria a crescer, ultrapassando 100% do PIB até 2033. O banco destaca que a execução do ajuste fiscal dependerá não apenas do presidente eleito, mas também do Congresso, dos governadores e das coalizões políticas formadas após a eleição.
Estratégias de investimento
Diante desse cenário, o Morgan Stanley adotou uma postura mais defensiva em relação ao mercado acionário brasileiro. O banco mantém uma posição moderadamente positiva, mas estruturada para resistir a cenários políticos muito diferentes. A estratégia inclui empresas defensivas ou com receitas denominadas em dólar, que estariam menos expostas a uma deterioração da economia doméstica.
Entre as recomendações do banco estão Petrobras e Embraer que permanecem com recomendação de compra tanto no cenário favorável quanto no adverso. Em caso de continuidade da política fiscal atual, o Morgan Stanley favorece empresas como SuzanoVale e JBS. Num cenário de mudança de política, prefere XPB3 e BTG.
No mercado de renda fixa, o banco recomenda uma estratégia cautelosa, preferindo pagar DI para janeiro de 2031 em vez de vender o real. Em crédito, a recomendação é de venda de títulos públicos com vencimento em março de 2034 contra o mexicano de fevereiro de 2035.



