O debate presidencial promovido pela Band neste domingo (23) ficou marcado pela ausência de dois dos principais nomes da disputa: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A estratégia política por trás dessa ausência gerou polêmica e transformou o evento em um palco de ataques e discussões acaloradas.
Renan Santos, do partido Missão, foi o grande destaque negativo do debate, com um comportamento agressivo e misógino que chamou a atenção do público. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro, que também não participou do evento, teve que se explicar nas redes sociais.
Ausências estratégicas e reações dos candidatos
O debate da Band, tradicionalmente um marco nas disputas eleitorais, sofreu um desfalque de última hora com a ausência de Romeu Zema (Novo), que se juntou a Lula e Flávio Bolsonaro na lista de ausentes. Zema, com apenas 2% nas pesquisas, parece ter optado por uma estratégia diferente para se destacar.
Lula, por sua vez, concedeu uma entrevista à Record, emissora concorrente, no mesmo horário do debate. A estratégia, embora discutível, pode ter sido uma forma de evitar ser alvo dos adversários no evento. Durante o debate, os candidatos presentes, Renan Santos, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), aproveitaram para atacar Lula e discutir suas propostas.
Propostas e ataques durante o debate
O programa poderia ter sido um palco para discussões construtivas e apresentação de propostas, mas acabou se transformando em um espaço para ataques pessoais e discussões acaloradas. As poucas propostas apresentadas pelos candidatos foram relacionadas à segurança pública.
Renan Santos, por exemplo, defendeu um “banho de sangue” contra bandidos caso fosse eleito. Ronaldo Caiado propôs a criação de 40 prisões federais, enquanto Augusto Cury, psiquiatra e escritor, sugeriu a formação de uma nova polícia civil composta por 400 mil cidadãos.
Cury, que tentou moderar os ânimos de Renan Santos durante o debate, alertou para o “nível de agressividade que assombra” do candidato do Missão. No entanto, Renan continuou com seus ataques, dirigindo insultos a Lula e à primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja.
Reações pós-debate e explicações
Após o debate, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo no Instagram tentando se explicar. Ele afirmou que queria debater, mas apenas com quem, segundo ele, está “destruindo o Brasil”. O vídeo, de 5 minutos e 37 segundos, foi uma tentativa de justificar sua ausência no evento.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou sobre a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro, afirmando que acredita ser uma estratégia eleitoral. Ele destacou a importância de construir consenso em torno de temas importantes para o País e criticou a condução econômica atual.
Tarcísio também mencionou a possibilidade de um alinhamento entre o governo federal e o governo paulista, caso ele seja reeleito e Flávio Bolsonaro eleito, o que poderia trazer benefícios a São Paulo. Ele ainda anunciou investimentos de R$ 2 bilhões até em coleta e tratamento de esgoto na região da Represa Billings.
Enquanto isso, Lula concedeu uma entrevista à Record, abordando temas como sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segurança pública, violência contra a mulher, economia e as investigações contra seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O presidente afirmou que qualquer erro cometido por seu filho será investigado e punido, se necessário.



