O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em 20 de agosto de 2026, um investimento de R$ 1 bilhão na instalação de um supercomputador no Rio Grande do Norte. O equipamento, dedicado à inteligência artificial será instalado no Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX) e fará parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).
Esta iniciativa representa um marco significativo para o Brasil, posicionando o país na competição global por avanços em IA, atualmente dominada por Estados Unidos e China.
Um salto tecnológico para o Brasil
O supercomputador terá uma capacidade de 7.200 petaflops em FP16, mais de 50 mil núcleos de processamento e um consumo elétrico estimado em 4 megawatts. Para contextualizar, essa máquina será capaz de realizar até 7,2 quintilhões de operações por segundo.
Para se ter uma ideia da magnitude desse poder de processamento, se cada uma das 8 bilhões de pessoas no mundo fizesse um cálculo por segundo, levaria cerca de 29 anos para realizar o que o supercomputador poderá processar em apenas um segundo.
Por que o Rio Grande do Norte?
A escolha do Rio Grande do Norte para sediar o supercomputador foi estratégica. A governadora Fátima Bezerra (PT) destacou que o estado oferece as condições técnicas mais adequadas, incluindo a disponibilidade de energia limpa em abundância, proveniente de fontes eólica e solar.
Além disso, a localização do equipamento no PAX, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) permitirá uma integração mais eficiente com universidades e centros de pesquisa do Nordeste, ampliando a capacidade de pesquisa e formação em inteligência artificial e computação de alto desempenho.
Impacto na economia e na ciência
O governo federal espera que o supercomputador atraia pesquisadores, startups e empresas de tecnologia para o estado, impulsionando a economia local. A ministra da Ciência, Tecnologia e InovaçõesLuciana Santos afirmou que o equipamento será utilizado por universidades, instituições de tecnologia, empresas e órgãos públicos.
O projeto prevê normas para ampliar o desenvolvimento no país, incluindo contrapartidas que as empresas deverão cumprir, beneficiando todo um ecossistema em torno dessa máquina.
O supercomputador é uma das três frentes apresentadas pelo governo federal para ampliar a infraestrutura brasileira de supercomputação dentro do PBIA. As outras duas frentes incluem uma cooperação tecnológica com a China para um supercomputador no Rio de Janeiro e o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta em Campinas, no estado de São Paulo.
O PBIA prevê um investimento total de R$ 23 bilhões entre 2026 e 2028, abrangendo ações de infraestrutura tecnológica, formação de profissionais, pesquisa, inovação e aplicações de inteligência artificial.
O supercomputador será utilizado por diversos setores, incluindo empresas e startups para desenvolvimento e treinamento de modelos próprios, universidades e centros de pesquisa para projetos de IA e ciência de dados, e instituições governamentais em aplicações nas áreas de saúde, agricultura, clima, indústria e serviços públicos.
Profissionais e estudantes também serão beneficiados, com a ampliação de oportunidades de formação em áreas de alta qualificação.



