A China está dando um passo significativo em direção à sustentabilidade com o lançamento do 15.º Plano Quinquenal para o Desenvolvimento Verde e Baixo em Carbono na Indústria. Este plano, divulgado pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) estabelece uma hoja de rota para a transformação ecológica de seis setores industriais até 2030.
O plano tem como objetivo principal acelerar o desenvolvimento verde da indústria, alcançar o pico de emissões de carbono e promover uma transformação ecológica integral no desenvolvimento econômico e social do país. Para isso, o MIIT organizou sete tarefas principais, que incluem a limitação de emissões de carbono, a criação de valor verde, o fornecimento de equipamentos e produtos verdes, a inovação em tecnologias baixas em carbono, a integração de inteligência artificial com a manufatura verde e a consolidação de sistemas de reciclagem de recursos.
Metas ambiciosas para 2030
Entre as metas estabelecidas para 2030, destacam-se o alcance do pico de emissões de dióxido de carbono no setor industrial, a maior eficiência no uso de recursos energéticos, o aumento significativo na aplicação de energias renováveis e o fortalecimento das indústrias verdes e baixas em carbono como vantagem competitiva.
O plano também detalha estratégias específicas por setor. Na indústria do aço, por exemplo, será priorizada a alocação de chatarra e eletricidade verde para plantas com fornos de arco elétrico, além do uso de tecnologias como a redução direta por hidrogênio. Já na produção de alumínio eletrolítico, o foco será no consumo de eletricidade verde. A indústria petroquímica ampliará o uso de eletricidade e hidrogênio verdes e matérias-primas baixas em carbono, enquanto o setor de materiais de construção avançará para o uso de resíduos combustíveis e materiais cementantes captadores de carbono.
Inovação tecnológica e reciclagem de recursos
O plano também prevê a aceleração da eletrificação industrial por meio de fornos elétricos, caldeiras e bombas de calor de alta temperatura, além de microrredes verdes que integrem energia solar, eólica e armazenamento. Será fomentada a conexão direta à eletricidade verde e a geração distribuída em parques industriais.
Outro eixo central é o reciclaje de recursos. O plano estabelece metas concretas para 2030, como reciclar 300 milhões de toneladas anuais de chatarra de aço, 25 milhões de toneladas de metais não ferrosos reciclados, 22 milhões de toneladas de plástico reciclado e 80 milhões de toneladas de papel reciclado. Além disso, serão atendidos resíduos emergentes como baterias de veículos elétricos, painéis solares e pás de turbinas eólicas fora de uso.
Em inovação tecnológica, o MIIT priorizará a pesquisa em hidrogênio verde, células solares de perovskita-silício, baterias de estado sólido, baterias de sódio e tecnologias de captura e armazenamento de carbono. Também será promovida a fusão de inteligência artificial e manufatura verde, aplicando algoritmos para otimizar o controle de fornos, a eficiência energética e o reciclaje de recursos em setores de alto consumo como aço, metais não ferrosos, materiais de construção e petroquímica.
Expansão de fábricas verdes e parques industriais
O plano contempla ainda a expansão de fábricas e parques industriais verdes, cadeias de suprimentos sustentáveis e serviços de manufatura verde, como financiamento ecológico, certificação de padrões e diagnósticos de transformação para empresas. Para a implementação do plano, o MIIT coordenará com outras entidades governamentais, reforçará o marco legal e normativo, completará a revisão de 500 padrões industriais verdes e baixos em carbono e acelerará a formação de talento especializado em gestão ambiental e baixa em carbono.
Além disso, a China também publicou um plano quinquenal para um sistema de energia novo tipo que reitera o objetivo de garantir que a energia não fóssil represente 50% da geração total de energia até 2030. O plano foca na necessidade de um sistema de energia seguro e confiável, fortalecendo a infraestrutura da rede e a despacho inteligente além de melhorar a flexibilidade do lado da demanda e as reformas institucionais.
Com esses planos ambiciosos, a China está se posicionando como líder na transição energética global, combinando inovação tecnológica, políticas industriais robustas e um compromisso claro com a sustentabilidade.



