Pular para o conteúdo
20 julho 2026

Como a diversidade está impulsionando o sucesso das empresas em Minas Gerais

Empresas em Minas Gerais estão adotando a diversidade como estratégia central, descobrindo que equipes mais inclusivas levam a maior inovação e rentabilidade

Como a diversidade está impulsionando o sucesso das empresas em Minas Gerais

O cenário corporativo em Minas Gerais está passando por uma transformação significativa, onde a diversidade deixou de ser apenas uma questão de responsabilidade social para se tornar um pilar estratégico. Dados recentes mostram que empresas com equipes mais diversas estão colhendo benefícios tangíveis em termos de produtividadeinovação e desempenho financeiro.

Um estudo de 2026 da McKinsey & Company revelou que empresas com mais de 30% de mulheres em cargos de liderança e diversidade étnica superior a 39% nas posições executivas têm maior probabilidade de superar a média de rentabilidade do mercado. Por outro lado, organizações menos inclusivas têm 66% menos chances de alcançar resultados financeiros destacados.

Diversidade como motor de inovação e crescimento

A Frente Parlamentar Ambiental, Social e Governança da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) tem acompanhado de perto essa evolução. A deputada estadual Ana Paula Siqueira coordenadora do grupo, observa um crescente interesse das empresas por práticas inclusivas, mas alerta para a necessidade de ações concretas.

“Percebemos um avanço no discurso das empresas sobre diversidade, mas ainda há uma lacuna entre o que é dito e o que é feito”, afirma a deputada. Ela destaca que a inclusão eficaz exige mudanças profundas no ambiente corporativo, não apenas em comunicados institucionais. “É essencial combater a violência de gênero e o racismo dentro das organizações para que as políticas de diversidade tenham impacto real.”

Diversidade demográfica e oportunidades de mercado

Os dados demográficos de Minas Gerais reforçam a importância dessa agenda. Segundo o Censo 2026 do IBGE as mulheres representam 48,5% da população do estado, enquanto a população negra corresponde a 58,6%. Essa composição diversificada exige que as empresas compreendam e atendam a diferentes perfis de consumidores e trabalhadores.

A deputada Ana Paula Siqueira ressalta que as organizações estão reconhecendo a necessidade de se conectar com uma parcela cada vez maior da população. “A diversidade não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia competitiva que pode ampliar mercados e fortalecer a relevância das empresas.”

Transformação em setores tradicionais

Setores historicamente dominados por homens, como a construção civil também estão experimentando mudanças significativas. Dados do IBGE mostram que a participação feminina no segmento cresceu 120% na última década, impulsionada por mudanças na gestão e nos resultados operacionais.

A engenheira civil Loyane Xavier responsável por obras do Grupo Direcional em Minas Gerais, observa que a presença feminina nos canteiros de obras contribui para maior organização e eficiência. “A diversidade de gênero traz benefícios tangíveis, como ambientes mais seguros e planejados, o que se traduz em maior rentabilidade.”

O aumento da participação feminina também está mudando a cultura organizacional do setor. A engenheira Andressa Bastos Marins Miranda destaca que a presença de mulheres nas obras é essencial para evoluir a cultura do setor e criar ambientes profissionais mais diversos e inclusivos.

Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) mostram que, das 1,2 milhão de pessoas com registro ativo no Brasil, cerca de 242 mil são mulheres, representando 20,2% do total. Entre os novos registros, elas já correspondem a 26%, indicando uma tendência de crescimento.

Inclusão de moradores de periferias

Apesar dos avanços, a inserção de profissionais moradores de periferias no mercado formal ainda enfrenta desafios, principalmente relacionados à qualificação e acesso a oportunidades. O Censo 2026 revela que mais de 72% da população residente em periferias e comunidades é preta ou parda, destacando a importância da inclusão racial para o desenvolvimento econômico dessas regiões.

O presidente da Central Única das Favelas (Cufa) em Passos, no Sul de Minas, Reinaldo Alves afirma que a diversidade deve ser vista como uma estratégia de desenvolvimento econômico. “A inclusão de moradores de periferias não é apenas um avanço social, mas uma oportunidade para impulsionar a economia local.”