Pular para o conteúdo
17 julho 2026

TSMC divulga resultados acima do esperado, mas ações recuam: entenda o impacto

A TSMC, maior fabricante de chips do mundo, superou as expectativas de lucro e receita, mas suas ações caíram, arrastando outros papéis do setor. Descubra os motivos por trás dessa reação.

TSMC divulga resultados acima do esperado, mas ações recuam: entenda o impacto

A TSMC líder global na fabricação de semicondutores, anunciou resultados trimestrais que superaram as expectativas do mercado. No entanto, suas ações sofreram uma queda significativa, impactando outros papéis do setor tecnológico nos Estados Unidos. Esse movimento aparente paradoxo pode ser explicado por dois fatores específicos que preocuparam os investidores.

Por volta das 14h (horário de Brasília), o Nasdaq Composite recuava 0,94%, enquanto o Nasdaq 100 mais concentrado em tecnologia, caía 1,33%. O S&P 500 teve uma perda mais moderada de 0,29%, e o Dow Jones menos exposto a empresas de tecnologia, subiu 0,09%.

Margens sob pressão

A TSMC reportou um aumento de 77% no lucro por ação no segundo trimestre, superando as projeções do mercado. A receita também veio em linha ou acima das estimativas. No entanto, a margem bruta da empresa, que indica quanto sobra da receita após os custos diretos de produção, foi um ponto de atenção.

A margem bruta ficou acima do piso projetado pela própria empresa, mas abaixo do que a parte mais otimista do mercado esperava. Além disso, a previsão para o terceiro trimestre indica uma leve redução nessa margem. Durante uma teleconferência com analistas, o presidente do conselho da TSMC, C.C. Wei explicou que a rápida entrada em produção da tecnologia de 2 nanômetros poderia diluir a margem bruta em cerca de 3 a 4 pontos percentuais.

Investimentos pesados e dúvidas sobre retorno

Outro ponto de atenção foi o aumento significativo no capex o capital investido em ativos como fábricas, equipamentos e infraestrutura. A TSMC elevou sua projeção para 2026 de uma faixa entre US$ 52 bilhões e US$ 56 bilhões para US$ 60 bilhões a US$ 64 bilhões. Além disso, a empresa anunciou um aporte adicional de US$ 100 bilhões em fábricas no Arizona, elevando o compromisso total nos Estados Unidos para US$ 265 bilhões.

Em condições normais, um aumento no investimento seria visto como um sinal de confiança no crescimento futuro. Wei defendeu essa lógica, afirmando que um nível mais alto de capex está sempre correlacionado a maiores oportunidades de crescimento nos anos seguintes. Ele também reforçou a confiança da empresa na demanda por chips ligados à inteligência artificial nos próximos anos, prevendo uma tendência robusta até 2029 ou 2030.

No entanto, esse tipo de anúncio também levanta dúvidas sobre até que ponto esse volume de investimento gerará retorno proporcional e se está sendo financiado de forma sustentável, sem comprometer a geração de caixa no curto prazo.

Reação do mercado e perspectivas

A reação negativa das ações da TSMC nesta quinta-feira arrastou outros papéis do setor, como Arm HoldingsMicron TechnologyAdvanced Micro DevicesBroadcom e os recibos americanos da SK Hynix. O ETF de semicondutores VanEck (SMH) também recuou mais de 2%.

Apesar da queda, os principais bancos que acompanham a TSMC mantiveram recomendação de compra após o resultado. O Goldman Sachs elevou seu preço-alvo para os próximos 12 meses de NT$ 3.000 para NT$ 3.100, implicando um potencial de valorização de 25,5%. O JPMorgan também recomenda compra, com preço-alvo de NT$ 3.100 e potencial de alta de cerca de 27%. Já o Itaú BBA atualizou seu preço-alvo para NT$ 3.113, com potencial de valorização de 26%.

Os bancos veem o aumento no capex como um reforço à tese de demanda por chips ligados à inteligência artificial nos próximos anos, enquanto a pressão pontual sobre a margem bruta é tratada como algo temporário, que não muda a avaliação de longo prazo sobre a companhia.

O mercado já apontava que a tese de investimento em inteligência artificial segue de pé, mas alertava para riscos como preços de ações esticados no setor, volume crescente de emissão de dívida e um posicionamento de mercado muito concentrado nesses papéis. Segundo o Morgan Stanley esses fatores tendem a gerar mais oscilação nos preços das ações, sem necessariamente mudar a direção de longo prazo dos retornos.