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15 julho 2026

Surto de Ebola no Congo: desafios e falta de financiamento para combate

O surto de Ebola na República Democrática do Congo continua a se espalhar, com a OMS alertando para a falta de recursos necessários para combater a doença.

Surto de Ebola no Congo: desafios e falta de financiamento para combate

A Organização Mundial da saúde (OMS) enfrenta um desafio monumental no leste da República Democrática do Congo (RDC) onde um surto de Ebola da cepa Bundibugyo está se espalhando rapidamente. Com apenas 40% dos US$115 milhões necessários para combater a epidemia, a agência de saúde global está em uma corrida contra o tempo para conter a doença.

Até o momento, 1.926 pessoas foram infectadas e 702 morreram, segundo dados do governo. A situação é crítica, especialmente nas províncias de IturiNorth KivuSouth Kivu e Tshopo onde a transmissão comunitária é intensa. A OMS estima que o número real de casos pode ser duas a quatro vezes maior do que os números oficiais.

Desafios na detecção e isolamento de casos

Um dos maiores desafios enfrentados pelos profissionais de saúde é a detecção e isolamento de pacientes. Chikwe Ihekweazu chefe do Programa de Emergências de Saúde da OMS, alertou que 80% dos novos casos não têm ligação conhecida com pacientes já identificados. Isso indica que a doença está se espalhando de forma significativa sem ser detectada.

Em Bunia capital da província de Ituri, cerca de um em cada dois pacientes testados para Ebola é positivo, um sinal claro de transmissão comunitária intensa. A situação é agravada pela falta de recursos e pela dificuldade em rastrear contatos, especialmente em áreas com menos casos, como North Kivu.

Falta de recursos e impacto na resposta

A falta de financiamento está tendo um impacto significativo na resposta ao surto. A OMS recebeu apenas 40% dos US$115 milhões solicitados, o que limita a capacidade de implementar medidas eficazes de controle. Ihekweazu enfatizou que este surto exige recursos à altura dos desafios enfrentados e que a RDC não pode carregar sozinha esse fardo.

Além disso, a resposta ao surto chegou a um ponto crítico, exigindo esforços intensificados para detectar e isolar pacientes. A situação é comparada a uma maratona, onde é necessário continuar se esforçando mesmo quando se está cansado e exausto.

Transmissão comunitária e cuidados em casa

Preliminarmente, a cepa Bundibugyo do vírus Ebola pode causar sintomas mais leves do que outras variantes, reduzindo a percepção de risco entre as comunidades afetadas. Isso leva algumas famílias a cuidar de parentes doentes em casa antes de buscar tratamento. Embora isso possa melhorar as taxas de sobrevivência entre os pacientes que chegam aos centros de tratamento, também significa que pessoas infectadas podem permanecer na comunidade por mais tempo, continuando a transmitir o vírus.

Além disso, 70% das mortes por Ebola ocorreram fora dos centros de tratamento, destacando a necessidade de fortalecer a vigilância e a conscientização comunitária. A OMS está treinando 21.000 trabalhadores de saúde comunitários para realizar visitas porta a porta, identificar casos suspeitos e encorajar pessoas com sintomas a buscar cuidados médicos.

A situação na RDC é um lembrete sombrio dos desafios contínuos no combate a doenças infecciosas em regiões com recursos limitados e infraestrutura frágil. A comunidade internacional deve agir rapidamente para fornecer o apoio necessário e evitar que o surto se torne ainda mais devastador.