Em 2026, o Brasil emergiu como o principal destino global de investimentos chineses, atraindo um total de US$ 6,1 bilhões. Esse montante representou 10,9% de todos os investimentos chineses realizados no exterior, superando países como Estados UnidosIndonésia e Cazaquistão.
O Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) destacou que o Brasil foi o único país a permanecer entre os cinco principais destinos de investimentos chineses nos últimos cinco anos. Os setores de energiamineração e mobilidade elétrica foram os grandes destaques, impulsionando esse crescimento significativo.
Setores em destaque: energia, mineração e mobilidade elétrica
O setor de eletricidade liderou os aportes, com US$ 1,79 bilhão (aproximadamente R$ 8,8 bilhões), representando cerca de 29,5% do total investido. Esses recursos foram concentrados em projetos de energia renovável e transmissão.
A mineração foi outro grande destaque, com investimentos que mais que triplicaram em relação a 2026, atingindo US$ 1,76 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões). Esse crescimento foi impulsionado pelo interesse chinês em minerais críticos ligados à transição energética como níquelcobre e ouro.
O setor de mobilidade elétrica também avançou significativamente. O setor automotivo recebeu US$ 965 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões), um aumento de 66% na comparação anual. Esse crescimento foi puxado pela expansão de montadoras chinesas no país, como a BYD na Bahia e a GWM Brasil em São Paulo.
Petróleo e a expansão chinesa no Norte do Brasil
O setor de petróleo permaneceu entre os principais destinos dos investimentos chineses no Brasil em 2026, com aportes de US$ 804 milhões (cerca de R$ 3,9 bilhões). Apesar da queda de 24% em relação a 2026, a área respondeu por 13,3% do total investido pela China no país.
O principal movimento do ano foi a entrada da China National Petroleum Corporation (CNPC) na Foz do Amazonas. A estatal chinesa adquiriu nove blocos exploratórios na região, em consórcio com a Chevron ampliando a presença chinesa no Norte do país. Esse avanço ajudou a região a alcançar participação recorde na atração de projetos chineses em 2026.
Fatores que explicam a atratividade do Brasil
Segundo Tulio Cariello diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, o avanço dos investimentos chineses no Brasil é resultado de uma combinação de fatores internos e externos. A depreciação do real frente ao dólar, o tamanho do mercado consumidor brasileiro a abundância de recursos minerais e energéticos e a matriz elétrica limpa do país são alguns dos principais atrativos.
A depreciação do real significa que os ativos brasileiros ficam mais baratos para investidores estrangeiros. Como os investimentos são feitos em dólar, um câmbio mais alto aumenta o poder de compra das empresas chinesas no Brasil, reduzindo o custo relativo de fábricas, empresas, terras e projetos de infraestrutura.
Além disso, as tensões geopolíticas e as restrições a investimentos chineses nos mercados dos Estados Unidos e da Europa têm contribuído para redirecionar parte do capital ao Brasil. Para os próximos anos, a expectativa é de continuidade dos aportes em setores ligados à transição energéticatecnologia da informaçãopetróleomineração e manufaturas avançadas.



