No cenário financeiro brasileiro, as stablecoins emergiram como protagonistas incontestáveis. Dados recentes da Receita Federal revelam que esses ativos digitais, vinculados a moedas tradicionais como o dólar e o real, representam atualmente cerca de 80% do volume declarado de operações com criptoativos no país.
Esse crescimento exponencial não ocorreu da noite para o dia. Desde 2019, quando as stablecoins representavam apenas 3,5% do mercado, até os dias atuais, onde dominam mais de 90% em alguns períodos, a trajetória desses ativos tem sido impressionante. A DeCripto sistema de prestação de informações sobre operações com criptoativos instituído pela Instrução Normativa RFB nº 2.291/2026, passa a ser obrigatório a partir de julho de 2026, alinhando o Brasil ao padrão internacional da OCDE.
O crescimento das stablecoins no Brasil
Entre agosto de 2019 e dezembro de 2026, o mercado brasileiro de criptoativos movimentou cerca de R$ 1,58 trilhão. Dessas operações, R$ 1,13 trilhão, ou 71,7%, foram realizadas com stablecoins. Esse crescimento se acelerou significativamente a partir de 2026, quando a participação desses ativos saltou para 79,7% em 2026 e atingiu o pico de 94,3% em julho de 2026.
Em 2026 e 2026, a dominância das stablecoins se estabilizou em uma faixa entre 76% e 80%. O maior volume mensal registrado foi em novembro de 2026, com R$ 39,7 bilhões em operações. Esse crescimento não se limitou ao volume financeiro, mas também ao número de transações, que chegou a 185,7 milhões no período analisado.
USDT lidera o mercado brasileiro
Entre as stablecoins, a Tether (USDT) atrelada ao dólar, é a grande protagonista. Ela concentrou 88,7% de todo o volume declarado no Brasil entre agosto de 2019 e dezembro de 2026, equivalente a aproximadamente R$ 1 trilhão. Na sequência aparecem a USD Coin (USDC) com 7,1% do total, e a Brazilian Digital Token (BRZ) com 3,4%, a principal stablecoin lastreada em real.
O recorde de operações com stablecoins ocorreu em novembro de 2026, com 18,2 milhões de transações. Nesse mesmo mês, o mercado brasileiro de criptomoedas registrou 31,9 milhões de operações, destacando a relevância desses ativos no cenário financeiro.
A fiscalização da Receita Federal
A Receita Federal destacou que parte relevante do volume em stablecoins é negociada por meio de prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior. A DeCripto torna obrigatória a entrega de informações também por essas empresas estrangeiras, desde que direcionem suas atividades ao mercado brasileiro.
A exigência determina que empresas que operam no país com criptoativos, independentemente do domicílio, prestem informações sobre suas atividades e seus clientes ao Fisco. Essa medida visa ampliar a fiscalização do mercado de ativos digitais e facilitar o combate à evasão de divisas, à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades criminosas.



