Os fundos de investimento imobiliário (FIIs) têm se destacado como uma opção atraente para quem busca complementar a renda na aposentadoria. Com maior liquidez e gestão especializada, eles oferecem diversificação e a possibilidade de aportes menores em comparação à aquisição direta de imóveis. No entanto, é crucial entender a dose certa desses fundos em uma carteira de aposentado.
Gustavo Assis, da gestora Asset, lembra que, apesar de investirem em ativos reais, os FIIs continuam sendo renda variável. As cotas negociadas em bolsa oscilam diariamente e podem passar por períodos de valorização ou desvalorização. Por exemplo, até o dia 26 de junho de 2026, o Índice de fundos imobiliários (IFIX) da B3 registrou uma queda de 1,6% no mês e uma alta modesta de 0,6% no ano.
Três níveis de exposição
Para Assis, a análise deve começar pela necessidade financeira do aposentado. Se ele depende dos rendimentos da carteira para sustentar seu padrão de vida, uma exposição moderada a FIIs, entre 5% e 10%, pode ser mais adequada. Nesses casos, é recomendável complementar a carteira com ativos de renda fixa que ofereçam maior previsibilidade de fluxo de caixa.
Para investidores que já possuem outras fontes de renda, como aposentadoria, aluguel ou previdência, e utilizam os rendimentos dos investimentos apenas para complementar gastos ou objetivos específicos, uma exposição em torno de 15% pode fazer sentido. Já para aqueles que não dependem da renda gerada pelo patrimônio no curto prazo e possuem maior capacidade de absorver oscilações, a participação dos fundos imobiliários pode chegar a algo próximo de 20% da carteira, desde que dentro de uma estratégia diversificada.
Diversificação e gestão de risco
Gabriel Pereira, head de Fundos Imobiliários da AVIN, destaca que uma alocação entre 10% e 40% do portfólio em FIIs pode ser uma boa pedida para quem busca renda consistente. Ele enfatiza a importância de dosar bem o risco, escolhendo gestoras de qualidade, avaliando a liquidez dos fundos e diversificando entre fundos de papel e de tijolo, como shoppings, lajes corporativas e galpões logísticos.
Pereira lembra que, nessa fase da vida, é natural buscar mais previsibilidade e menos volatilidade. Mesmo assim, os FIIs se encaixam bem nesse cenário por razões práticas: distribuem rendimentos mensais isentos de IR para pessoa física, funcionam como uma renda de aluguel sem as dores de cabeça de ser proprietário direto e têm liquidez muito superior à de imóveis físicos.
Ele entende que não existe um percentual ideal definido para alocação em FIIs na carteira de um aposentado, mas sim uma fórmula para avaliar como a aplicação se ajusta à realidade de cada um. “Gostamos de pensar de forma simples, olhando a relação risco e retorno e levando em conta fatores individuais como o nível de gastos mensais, a existência de renda via INSS e outras fontes de receita complementares”, explica.
Assis reforça que não existe uma alocação ideal universal. O mais importante é analisar o investidor como um todo, considerando necessidades de curto, médio e longo prazo.


