Pular para o conteúdo
20 junho 2026

Eleição em Roraima define governador para mandato temporário até janeiro de 2027

Roraima vive um momento político único com a eleição suplementar que vai definir um governador para um mandato de apenas seis meses.

Eleição em Roraima define governador para mandato temporário até janeiro de 2027

Os eleitores de Roraima estão prestes a viver um momento histórico. Neste domingo, 21 de junho de 2026, o estado realizará uma eleição suplementar para escolher um governador que ficará no cargo por apenas seis meses. O pleito foi convocado após a cassação do governador Edilson Damião (Republicanos) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que identificou irregularidades durante a campanha de 2026.

A votação ocorrerá entre 8h e 17h em todo o estado. O vencedor assumirá o cargo até janeiro de 2027, quando o governador eleito na disputa regular, marcada para outubro deste ano, tomará posse. Essa situação única faz com que Roraima tenha duas eleições para governador em 2026, sem interferir no calendário eleitoral nacional.

Três chapas disputam o governo em meio a imbróglio judicial

Ao todo, 384.582 eleitores estão aptos a participar da escolha. O voto é obrigatório e segue as mesmas regras das eleições gerais. Quem deixar de votar sem justificar poderá ser multado e enfrentar restrições legais.

Três chapas estão na disputa. O governador interino Soldado Sampaio (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa, concorre ao lado de Tayla Peres (Republicanos). Ele assumiu o comando do estado de forma provisória após a vacância do cargo e agora busca um mandato legitimado pelas urnas.

Outra chapa é formada por Nelita Frank (PT) e Barto Macuxi (PSOL). A candidata petista entrou na corrida eleitoral após substituir Antônia Pedrosa, que teve o registro barrado pela Justiça Eleitoral. A troca foi formalizada dentro dos prazos legais.

Já Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista, disputa a eleição ao lado do Subtenente Velton (PL). No entanto, a candidatura segue sub judice. O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) indeferiu o registro por entender que o ex-prefeito não cumpriu o prazo de desincompatibilização exigido pela legislação. Recursos ainda aguardam análise no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Controvérsias e questionamentos judiciais

A convocação do pleito foi determinada pelo TSE após o julgamento de um processo que tramitou por quase dois anos. Segundo a Corte, Edilson Damião utilizou programas sociais estaduais de forma irregular durante a campanha eleitoral de 2026, configurando abuso de poder político e econômico. A decisão também atingiu o ex-governador Antonio Denarium, que foi declarado inelegível.

Com a cassação, Damião permaneceu apenas 34 dias no cargo, registrando a passagem mais curta pelo governo de Roraima desde a criação do estado. O senador Dr. Hiran (PP-RR) chamou a atenção para a situação política em Roraima e para a eleição suplementar. Ele questionou a exigência de desincompatibilização seis meses antes da realização da eleição suplementar, afirmando que os candidatos não tinham como prever a necessidade de deixar seus cargos.

— Como é que ele [candidato] poderia ter se desincompatibilizado se ele não sabia se ia existir? Ninguém sabia se ia existir eleição suplementar — declarou Dr. Hiran.

O parlamentar também citou processos em análise no STF e no TSE relacionados ao registro de candidaturas. De acordo com ele, as duas cortes têm adotado entendimentos distintos sobre a aplicação dos prazos de desincompatibilização nesses casos.

Apoio logístico e decisões judiciais recentes

Nesta quarta-feira, 17 de abril de 2026, o governo federal autorizou o uso das Forças Armadas para prestar apoio logístico na eleição. A medida consta de decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU).

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Soldado Sampaio (Republicanos), assumiu o governo interinamente até o resultado da eleição do mandato-tampão. Ele está entre os favoritos, especialmente porque o candidato Arthur Henrique (PL) enfrenta empecilhos judiciais.

O TRE-RR havia flexibilizado a lei eleitoral para permitir que candidatos deixassem os cargos públicos até 24 horas após as convenções para concorrer ao mandato-tampão. No entanto, em maio, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a norma e mandou o TRE aplicar os prazos de desincompatibilização previstos na Lei da Inelegibilidade, que variam de três a seis meses antes da eleição.

A decisão de Dino afetou a candidatura de Antônia Pedrosa (PT) e de Arthur Henrique. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, negou, na terça-feira, 16 de abril de 2026, pedido do partido bolsonarista para suspender a decisão. Ele afirmou que o recurso do partido não atendia aos requisitos legais.