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13 junho 2026

Governo e Instituto Alana destinam recursos para avanços científicos em saúde da mulher

O governo brasileiro, em parceria com o Instituto Alana, destinará R$ 60 milhões para pesquisas e desenvolvimento de tecnologias voltadas à saúde menstrual.

Governo e Instituto Alana destinam recursos para avanços científicos em saúde da mulher

O Brasil está dando um passo significativo na área da saúde da mulher. O Ministério da Ciência, tecnologia e Inovação (MCTI) e o Instituto Alana anunciaram, em 9 de junho de 2026, um investimento de R$ 60 milhões para pesquisas e desenvolvimento de tecnologias voltadas à saúde menstrualcom foco especial na endometriose e na dor pélvica.

Esse montante será dividido em duas frentes: R$ 50 milhões serão geridos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para editais de inovação na saúde da mulher, enquanto os R$ 10 milhões restantes serão investidos pelo Instituto Alana na criação de uma rede nacional de pesquisa especializada no tema.

Um problema de saúde pública que exige atenção

A endometriose é uma condição que afeta cerca de 10% das brasileiras em idade fértilcom taxas de prevalência variando entre 5% e 15% durante o período reprodutivo, incluindo adolescentes. Caracterizada pelo crescimento de células do endométriotecido que reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina, essa condição provoca reações inflamatórias crônicas e pode levar a dores intensas e complicações graves.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santosdestacou que o investimento é uma resposta do Estado a um problema de saúde pública. “O que não é pesquisado não é compreendido. O que não é compreendido não é tratado”, afirmou. A CEO do Instituto AlanaFlavia Doriaalertou que sintomas negligenciados na adolescência podem evoluir para dores crônicas na fase adulta.

Impacto e expectativas

O ministro da Saúde, Alexandre Padilhaparticipou do evento e apontou a baixa visibilidade histórica dada às doenças que afligem a população feminina. Segundo Padilha, os novos estudos vão subsidiar a criação de políticas públicas e aprimorar a assistência médica no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Esse é um tema muito importante, que afeta pelo menos 8 milhões de mulheres no nosso país, especialmente adolescentes. É fundamental que ele tenha sido contemplado em um edital específico com esse volume de recursos. Temos o compromisso de construir uma política pública robusta no SUS para enfrentar essa questão da forma como ela precisa ser enfrentada”, afirmou o ministro.

A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silvatambém participou do anúncio e chamou a atenção para a invisibilidade histórica das questões relacionadas à saúde da mulher. “Muitas mulheres convivem com dores intensas sem receber diagnóstico ou acolhimento adequados, e a endometriose é um exemplo dessa realidade”, declarou.

Estrutura e objetivos da chamada pública

A chamada pública será aberta pelo CNPq e terá cinco eixos temáticos: causa e prevenção; diagnóstico; tratamento; biorrepositório; e impacto social. As pesquisas deverão contribuir para reduzir lacunas de conhecimento sobre a endometriose, doença crônica ainda subdiagnosticada, que afeta cerca de uma em cada dez meninas e mulheres e pode levar anos para ser identificada.

Os recursos do Instituto Alana serão destinados à criação de uma rede nacional estruturante de pesquisa nesses temas, formada a partir dos projetos selecionados. Essa rede contará com uma infraestrutura compartilhada de comunicação científica, implementação de ciência cidadã, apoio ao pesquisador, educação e formação.

O ministro Alexandre Padilha destacou que o primeiro protocolo clínico do SUS para o tratamento da endometriose foi instituído no ano passado, no âmbito do programa Agora Tem Especialistasalinhando diretrizes assistenciais e financiamento. “Foi criada a primeira tabela específica para estimular esse cuidado integrado, remunerando um conjunto de ações que envolve consulta, diagnóstico e tratamento”, afirmou.

Esse investimento representa um avanço significativo na busca por soluções tecnológicas e científicas para melhorar a qualidade de vida de milhões de mulheres brasileiras, garantindo diagnóstico precoce e tratamentos mais eficazes.