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27 maio 2026

CSD BR e MEMX selam memorando para implementar matching engine em nova bolsa

CSD BR firmou entendimento com a MEMX para adotar um matching engine já utilizado globalmente, enquanto avança nas autorizações do Banco Central e organiza investidores

A CSD BR deu mais um passo visível rumo à criação de uma segunda praça de negociação no país ao assinar um memorando de entendimento com a americana MEMX. Pelo acordo, a CSD pretende incorporar a tecnologia de matching engine da MEMX — sistema central responsável pelo cruzamento de ordens — como peça-chave da infraestrutura. A operação ocorre em um contexto em que grandes bancos e players internacionais já figuram entre os investidores da CSD, sinalizando interesse por uma alternativa à B3 no mercado brasileiro.

O entendimento está em fase de definição e contempla dois caminhos possíveis: uma licença comercial para o uso da plataforma ou um modelo de parceria de equity, possivelmente uma joint venture entre as empresas. O CFO da CSD, Daniel Miranda, ressaltou que a escolha técnica privilegia estabilidade e velocidade, com execução em microsegundos, reduzindo riscos de performance e acelerando a entrega da nova infraestrutura. Optar por tecnologia pronta significa limitar o tempo de implementação e o custo de desenvolvimento interno.

O que a MEMX traz para o projeto

A MEMX é reconhecida internacionalmente pela robustez de seu matching engine e pela conectividade com participantes globais. Para a CSD, essa reputação traduz-se em menor volatilidade operacional e maior previsibilidade no comportamento das ordens, fatores atraentes para formadores de mercado e participantes de alta frequência. A adoção de uma plataforma já testada também diminui o ônus de homologação técnica e facilita a integração com provedores de liquidez internacionais.

Além do ganho operacional, a parceria pode abrir espaço para um relacionamento mais profundo, caso se opte por um modelo de participação societária. Entre os benefícios apontados estão compartilhamento de know-how, alinhamento em governança de tecnologia e acesso a uma base de clientes e provedores que já usam a infraestrutura da MEMX em outras praças. Esse conjunto de vantagens foi determinante para orientar a decisão de não desenvolver a plataforma internamente desde o zero.

Licenças e fase regulatória

Em dezembro de 2026 a CSD recebeu do Banco Central as autorizações para operar como depositária e como câmara de liquidação, etapas essenciais para garantir a custódia de ativos e o processamento dos fluxos financeiros. Essas permissões permitem que a empresa atue em funções críticas de infraestrutura de mercado, mas ainda não habilitam a operação plena de uma bolsa. A única licença faltante é a de contraparte central (CCP), necessária para que a CSD atue como contraparte nas negociações e reduza risco de contraparte entre participantes.

O pedido para obtenção da CCP já foi protocolado junto às autoridades competentes, e a expectativa interna da companhia é concluir esse processo em 2027. Enquanto a autorização não é finalizada, a CSD segue fortalecendo a base tecnológica e de governança, preparando documentação e controles que serão exigidos para atuar como contraparte central. A evolução regulatória será acompanhada de perto por investidores e participantes do mercado.

Por que a CCP é decisiva

A licença de contraparte central (CCP) é o que permite que uma bolsa ofereça liquidação garantida em suas transações, reduzindo exposição entre compradores e vendedores. Sem essa autorização, a oferta de serviços de bolsa fica incompleta e restrita. Para atrair participantes institucionais e volumes significativos, a CSD precisa da CCP, pois muitas operações de alto valor e estratégias de market making dependem dessa camada de mitigação de risco.

Financiamento e apoio de grandes players

A trajetória de captação da CSD reflete a confiança de investidores locais e estrangeiros: inicialmente foram levantados R$ 50 milhões com famílias controladoras de grupos como Suzano e Gerdau, seguidos por R$ 200 milhões em uma segunda rodada com participação de Santander, BTG e CBOE. Uma terceira fase de aportes trouxe cerca de R$ 100 milhões de bancos globais como Citi, UBS e Morgan Stanley, totalizando aproximadamente R$ 350 milhões até o momento.

Esse capital tem sido empregado para estruturação regulatória, tecnologia e contratação de equipes especializadas. A condução do projeto é liderada por Edivar Vilela Queiroz, e o suporte de instituições de peso demonstra um apetite por oferecer concorrência estruturada à B3. Investidores acompanham a evolução regulatória e técnica antes de tomar decisões adicionais sobre alocação de recursos.

Impactos do matching engine no mercado

Um matching engine com alta velocidade e baixa variância nos tempos de execução tende a atrair market makers e operadores de alta frequência, que respondem por parcela relevante do volume em bolsas maduras. Além disso, a consistência no processamento de ordens reduz custos de transação e melhora a liquidez, tornando a praça mais competitiva. Para a CSD, oferecer esse nível de desempenho é uma condição quase mandatória para ganhar tração entre participantes institucionais.

Próximos passos

O caminho à frente inclui a definição formal do modelo de parceria com a MEMX, a finalização de detalhes comerciais ou societários e a continuidade do processo para obtenção da CCP. A companhia deverá consolidar integrações técnicas, testes de desempenho e planos de migração antes de abrir a negociação. Enquanto isso, reguladores, bancos e investidores permanecem atentos à evolução, já que a implementação pode redesenhar parte da infraestrutura de negociação no Brasil.

Autor

Edoardo Vitali

Edoardo Vitali coordenou a cobertura da reestruturação do mercado de peixe de Palermo, defendendo a linha editorial sobre transparência fiscal. Chefe de redação da economia, traz para a redação uma abordagem pragmática e um detalhe pessoal: ainda guarda cadernos das reuniões na Sala delle Lapidi.