Em abril de 2026 a plataforma europeia RegDoor publicou a lista Regulatory Top Voices LATAM, um inventário de profissionais que atuam diretamente na elaboração, interpretação e aplicação de normas para ativos digitais na América Latina. A iniciativa funciona como um painel de referência para quem acompanha a transição regulatória do setor e busca entender quem ocupa posições de influência. A plataforma se descreve como ferramenta de inteligência regulatória, reunindo informações sobre jurisdições, autoridades e agentes de mercado para facilitar o diálogo entre indústria e reguladores.
O lançamento chega num momento em que a agenda regulatória regional ganha ritmo e coordenação entre entes públicos e privados. No caso do Brasil, a transição foi particularmente intensa: a regulação operacional foi publicada no fim de 2026 e entrou em vigor em fevereiro de 2026, abrindo uma fase de implementação que exige atenção de empresas, investidores e conselheiros jurídicos. Esse cenário aumenta o valor de um levantamento que aponta não apenas normas, mas também os atores que interpretam e fiscalizam essas regras.
Quem está na lista
Reguladores públicos
No recorte brasileiro, o mapeamento destaca profissionais do banco central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que participam da agenda para criptoativos. Pelas áreas técnicas do Banco Central aparecem Antonio Marcos Guimarães (chefe adjunto do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro), Fabio Araujo (economista), Mardilson Fernandes Queiroz (chefe de unidade do Denor) e Nagel Lisânias Paulino (chefe de subunidade do Denor). Pela CVM constam João Accioly (diretor e presidente interino, que também figura entre investidores-anjo da própria RegDoor), Marina Copola (diretora) e Jorge Alexandre Casara (gerente de inteligência em supervisão de riscos estratégicos). Esses nomes ilustram quem tem voz nas decisões técnicas e de supervisão dentro das autarquias.
Associações e escritórios jurídicos
O levantamento também inclui representantes do setor associativo e do meio jurídico, que atuam como ponte entre reguladores e mercado. Na lista aparecem Julia Rosin (diretora-presidente da ABcripto, gestão 2026–2029), Renata Mancini (vice-presidente do conselho da ABcripto) e Vanessa Lopes Butalla (conselheira da ABFintechs). No campo jurídico foram mapeados profissionais que assessoram operações e interpretam normas para empresas e investidores: Cesar Carvalho (Baptista Luz Advogados), Jihane Halabi (Halabi Advogados), Marcelo de Castro Cunha Filho (Machado Meyer), Marcos Coelho da Rocha (Veirano Advogados) e Tatiana Guazzelli (Pinheiro Neto Advogados). Esses atores são parte essencial do ecossistema de governança e compliance.
Por que o mapeamento importa
Identificar nomes e posições ganha relevância prática quando a discussão sai do papel e passa à execução. No Brasil, após a publicação das normas no fim de 2026 e a entrada em vigor em fevereiro de 2026, o desafio virou supervisionar e operacionalizar regras para prestadores de serviços de ativos virtuais. Mapear quem formula, interpreta e supervisiona ajuda empresas a calibrar estratégias regulatórias, priorizar interlocuções e antecipar exigências de supervisão ativa. Segundo Nicole Dyskant, fundadora da RegDoor, a América Latina vive um momento decisivo na construção de regras para ativos digitais, e o Brasil ocupa papel central pela densidade técnica e rapidez na evolução.
Como a RegDoor organiza o mapa
A plataforma se propõe a ir além de um ranking: reúne dados sobre diferentes jurisdições e conecta reguladores, associações e agentes de mercado em setores regulados, com foco em ativos digitais e serviços financeiros. Ao agregar perfis e funções a um mesmo repositório, a ferramenta facilita a leitura do ambiente regulatório e cria pontos de contato para diálogos públicos e privados. O levantamento inclui profissionais de Argentina, México, Chile, Colômbia e Peru, refletindo a percepção de que a construção de normas na região tende a ser cada vez mais coordenada.
Na prática, empresas e consultores ganham uma referência para mapear riscos e oportunidades diante de um cenário regulatório complexo. Com a lista Regulatory Top Voices LATAM, a RegDoor oferece um retrato dos protagonistas que devem influenciar o desenvolvimento de políticas, supervisão e pelo menos parte da interpretação jurídica dos ativos digitais na América Latina nos próximos anos, apoiando interlocuções mais informadas entre setor privado e autoridades públicas.
