Nos últimos desdobramentos do caso que envolve a cinebiografia Dark Horse, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou em vídeo divulgado nas suas redes sociais que atuou na captação de recursos para a produção. Segundo o ex-parlamentar, parte dos recursos resultou de valores levantados em um curso chamado Ação Conservadora, e ele diz ter transformado R$ 350 mil em cerca de US$ 50 mil, quantia que teria sido enviada aos Estados Unidos para ajudar a manter o diretor contratado.
Essa declaração contrasta com posições anteriores em que Eduardo negava participação direta na gestão financeira do filme. A mudança de versão acontece após reportagens que divulgaram documentos e contratos nos quais o ex-deputado aparece assinado como produtor-executivo, além de colocar em cena transferências e possíveis ligações com aportes maiores atribuídos a terceiros, incluindo o empresário Daniel Vorcaro e empresas ligadas ao Grupo Master.
Contratos e papel formal na produção
Documentos obtidos pela imprensa apontam que um contrato digital foi assinado por Eduardo em 30 de janeiro de 2026, no qual ele e o deputado Mário Frias figuram como produtores-executivos. O acordo descreve atribuições ligadas à captação de recursos, como preparação de material para investidores, identificação de incentivos fiscais e busca por patrocínios. A produtora listada é a GoUp Entertainment, empresa sediada na Flórida, com sócios brasileiros e responsáveis por intermediar parte da logística da obra.
O que o contrato prevê
Segundo os trechos do documento, as tarefas dos produtores incluíam envolvimento em estratégias de financiamento, elaboração de documentação para investidores e a busca por linhas de crédito e incentivos. Esses termos ampliam a responsabilidade formal atribuída a Eduardo além de uma participação simbólica, situando-o no centro das negociações financeiras do projeto.
Fluxo de recursos e as suspeitas envolvendo o Banco Master
Reportagens paralelas revelaram comunicações entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que embasam investigações sobre pagamentos milionários relacionados ao filme. Há menções a repasses da ordem de cerca de R$ 61 milhões para a produção e relatos de pressão por quitação de parcelas a diretores e protagonistas internacionais. A Polícia Federal investiga esquemas de fraude ligados ao banco, e autoridades querem rastrear se parte desses recursos alimentou a produção cinematográfica.
Possíveis implicações e a hipótese de fachada
Uma linha de investigação apura se a produção funcionou como fachamento para fluxos de recursos irregulares, inclusive verificando transferências para fundos no exterior, como o Havengate Development Fund LP, e se valores teriam sido usados para custear despesas pessoais de membros da família Bolsonaro, entre eles a permanência de Eduardo nos Estados Unidos. Essa hipótese motivou solicitações de informações a entidades e a análise de movimentações relacionadas ao projeto.
Reações e a disputa sobre versão dos fatos
Na sequência das revelações, Eduardo sustentou que não recebeu aporte direto de Vorcaro e negou que sua participação significasse favorecimento monetário individual: afirmou ter recebido de volta o valor investido relativo ao contrato com a produtora e reafirmou que a transação não teria passado por determinado fundo de investimento. Por sua vez, Flávio, pré-candidato à Presidência, já havia se manifestado para negar que o irmão teria obtido recursos do ex-banqueiro, chegando a afirmar que Eduardo teria aportado dinheiro do próprio bolso.
O episódio ampliou o debate público sobre transparência em campanhas e financiamentos privados de obras com potencial impacto político. As apurações em curso pela imprensa e pela Polícia Federal buscam esclarecer o papel de cada ator, o destino final dos recursos e se a produção serviu apenas a fins cinematográficos ou também como veia para operações financeiras sob suspeita.