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30 maio 2026

Executiva estadual da Rede confirma Marina Silva ao Senado e critica governo de Tarcísio

A Executiva Estadual de São Paulo da Rede declarou apoio à pré-candidatura de Marina Silva ao Senado e à de Fernando Haddad ao governo, ressaltando críticas ao governo Tarcísio de Freitas e tensões internas no partido

Executiva estadual da Rede confirma Marina Silva ao Senado e critica governo de Tarcísio

A Executiva Estadual de São Paulo da Rede Sustentabilidade divulgou, nesta terça-feira, 21, posicionamento em que endossa a pré-candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva ao Senado e apoia a postulação do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo do estado. No comunicado, a instância estadual qualifica como “desastroso” o atual governo de Tarcísio de Freitas e destaca a urgência de restabelecer a capacidade do Estado para planejar e implementar políticas públicas.

No texto divulgado, a sigla eleva Marina Silva como uma referência ética e política de alcance nacional e internacional, enaltecendo sua trajetória pautada pela coerência e pela defesa intransigente da vida, da democracia e da sustentabilidade. Ao mesmo tempo, o documento apresenta a pré-candidatura de Haddad como integrante de um bloco que pretende reconstruir a capacidade pública do estado, combinando responsabilidade econômica e promoção da justiça social.

Motivações do apoio

A nota da Executiva faz um balanço crítico do cenário estadual ao afirmar a necessidade de retomar a capacidade de planejamento, fortalecer políticas sociais, enfrentar desigualdades e preparar o território para os impactos das mudanças climáticas. Esses pontos são colocados como eixos centrais para justificar a união em torno de candidaturas que, segundo a direção paulista, podem reagir às falhas atribuídas ao governo estadual atual. O uso reiterado de termos como planejamento e fortalecimento de políticas sociais evidencia uma prioridade programática que serve de base para o endosso.

Tensões internas e cronologia dos acontecimentos

O posicionamento estadual da Rede chega em um momento de resistência e disputas internas na legenda. No início do mês, o diretório nacional publicou nota criticando a decisão de Marina de permanecer na legenda, em meio a rumores, durante a janela partidária, de que ela deixaria o partido. Em sequência, No dia 4 de abril Marina confirmou sua permanência na sigla que ajudou a fundar, agradeceu convites e diálogos com outras legendas e afirmou intenção de seguir no projeto político que a originou.

Reação da direção nacional

Em resposta à confirmação, a direção nacional comentou, No dia 8, que recebeu a decisão com “indignação e perplexidade”, acusando a ex-ministra de negar diálogo com instâncias partidárias. A cúpula chegou a mencionar que atitudes de parcela da liderança poderiam paralisar processos internos, judicializar disputas ou até tentar bloquear as contas do partido, atribuindo ao episódio características de conflito sobre a condução coletiva da legenda. Essas críticas alimentaram a percepção de divisão entre direção nacional e executiva estadual.

Resposta de Marina e desdobramentos

No dia seguinte à nota da direção, Marina rebateu as acusações, afirmando que havia divergências internas, mas que isso não equivalia a falta de diálogo ou desrespeito ao manifesto da Rede. Em entrevista à GloboNews, a ex-ministra declarou: “Não consigo imaginar que alguém possa propor me negar a legenda na Rede Sustentabilidade”, reafirmando sua vinculação ao partido e contestando interpretações sobre sua postura política. O episódio tornou mais visível a disputa por liderança interna, que também inclui litígios judiciais em torno da presidência do partido.

Impactos eleitorais e o campo da esquerda em São Paulo

Além do ambiente interno na Rede, o cenário eleitoral paulista segue fragmentado entre nomes da esquerda que buscam composição. A decisão da Executiva estadual de apoiar Haddad contempla acordos mais amplos, já que o ex-ministro também conta com suporte de outras siglas alinhadas ao campo progressista. Há disputa pelas vagas ao Senado: o arranjo político no estado envolve diferentes candidaturas e negociações sobre quem ocupará as duas cadeiras disponíveis na chapa majoritária.

Observações finais

O posicionamento da Rede em São Paulo reafirma alianças e expõe contradições internas que podem repercutir durante o processo de definição definitiva de chapas e coligações. Ao mesmo tempo em que celebra a figura de Marina Silva como símbolo de consistência ética, a sigla tenta apresentar uma resposta política ao que descreve como retrocessos na gestão estadual. O desfecho dessas disputas internas e das negociações com outras legendas influenciará a configuração da disputa em São Paulo nas próximas etapas do calendário eleitoral.

Autor

Susanna Riva

Susanna Riva observa Bolonha da janela do Arquivo do Estado, onde passou uma semana consultando pastas sobre as cooperativas da cidade: esse documento determinou a escolha editorial de aprofundar as responsabilidades institucionais. Mantém uma linha crítica na redação, apreciadora de um café longo e de um caderno sempre cheio.