Com a eleição presidencial concluída, o cenário macroeconômico brasileiro passou a ser dominado por dúvidas sobre o ajuste fiscal e seu efeito sobre os prêmios de risco do país. Essa incerteza impulsionou a XP Investimentos a revisar as alocações de seus fundos para o mês de novembro, adotando uma postura mais defensiva e redirecionando recursos para segmentos considerados menos voláteis.
O CIO da corretora, Artur Wichmann, destaca que a combinação de dívida pública alta, déficits persistentes e um orçamento rígido constitui o principal fator de risco. Diante desse panorama, a estratégia passa a privilegiar ativos que entregam retorno por carrego, oferecem maior liquidez e apresentam menor sensibilidade às variações nas taxas de juros.
Rebalanceamento das carteiras: mais pós-fixados, menos prefixados e menos ações brasileiras
Nas três linhas de alocação – conservadora, moderada e sofisticada – os pós-fixados ganharam destaque. Na carteira moderada, a participação desses ativos subiu 9,5 pontos percentuais, alcançando 35,5% do total. Na conservadora, o aumento foi de 8,5 pontos, chegando a 71,5%, e na sofisticada, 7 pontos, representando 17% da alocação em caixa. Em contrapartida, os prefixados tiveram cortes de 4 a 6 pontos percentuais, privilegiando vencimentos mais curtos e duration média de dois anos.
Quanto à renda variável, a exposição à bolsa nacional recuou: a carteira moderada reduziu o peso em ações brasileiras em 3,5 pontos, atingindo 5%, enquanto a sofisticada baixou 5 pontos, ficando em 15%. A conservadora manteve posição zero. Simultaneamente, a alocação em ações internacionais recebeu um upgrade para “overweight”, com foco nos Estados Unidos e nos setores de tecnologia e inteligência artificial. A XP vê correções de preço como oportunidades para adquirir empresas de alta qualidade.
Perspectivas para a renda fixa após a eleição
Analistas de mercado apontam que a trajetória dos juros dependerá dos sinais que o governo fornecer sobre a política fiscal nas próximas semanas. O analista Danilo Moreno, da Investo, ressalta que, se os investidores começarem a exigir um prêmio maior para financiar o Estado, as taxas podem subir acima dos níveis observados antes do primeiro turno.
Dentro da renda fixa, a escolha entre Tesouro Selic, títulos atrelados à inflação (IPCA+) e prefixados deve obedecer ao horizonte de cada investidor. O Tesouro Selic acompanha a taxa básica e apresenta baixa volatilidade, sendo indicado para quem precisa de liquidez imediata. Os títulos IPCA+ protegem o poder de compra ao combinar inflação com juros reais, porém sua sensibilidade aumenta com prazos mais longos.
Para quem busca diversificar com praticidade, os ETFs da Investo são citados como alternativas viáveis: LFTB11 concentra-se em Selic com uma fatia de IPCA+ 2060; NTNS11 reúne papéis indexados à inflação com vencimento de até quatro anos, adequado para metas de 2 a 5 anos; e NTNF11 investe em NTN-F com vencimento em 2031, potencializando ganhos quando a taxa de juros de mercado recua. Todos esses fundos têm alíquota de Imposto de Renda de 15% e são negociados na bolsa, permitindo aportes graduais.
Recomendações globais e prazo para a próxima decisão do Copom
A alocação global em dólares da XP permaneceu inalterada em relação a outubro, mantendo 51% em renda fixa, 45% em renda variável e 4% em caixa. A única mudança foi o alongamento da duration recomendada para três anos, aproveitando os rendimentos mais atrativos das curvas após a recente abertura.
O próximo encontro do Copom, marcado para 4 de novembro, será decisivo. Comprar títulos agora pode garantir uma remuneração maior até o vencimento, mas há risco de alta adicional nos juros, o que desvaloriza os papéis já adquiridos. Por outro lado, aguardar o comunicado traz mais informação, mas pode significar pagar preços mais elevados caso o mercado reaja positivamente. Moreno sugere que investidores de longo prazo estruturarem suas posições de forma contínua, usando aportes regulares em ETFs para diluir o timing.
Por fim, a XP recomenda que ao menos 15% do patrimônio seja mantido em um portfólio global dolarizado, como forma de diversificar risco cambial e exposição geográfica, complementando a estratégia em reais.



