O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) apresentou uma medida cautelar solicitando que o TCU investigue um empréstimo concedido pelo Banco Master à empresária Bianca Medeiros. Segundo as informações públicas, o crédito, de cerca de R$ 22 milhões, foi contratado em março de 2026 e teve como objetivo a aquisição de um terreno de mais de 400 hectares em João Pessoa, onde está prevista a implantação de um novo bairro e a instalação de uma fábrica de cimento.
Na petição, o MPTCU pede que o Tribunal apure se a operação envolveu, direta ou indiretamente, recursos públicos, subsidiações ou garantias oficiais, e também que avalie a atuação do Banco Central na supervisão da instituição financeira. O subprocurador-geral responsável pelo pedido, Lucas Rocha Furtado, requereu ainda a preservação dos documentos relacionados à operação e que, se constatadas irregularidades, sejam tomadas medidas para responsabilização e ressarcimento aos cofres públicos.
Index du contenu:
Detalhes da operação e cadastros societários
Documentos apurados pela imprensa indicam que, em 8 de março de 2026, Bianca Medeiros adquiriu todas as cotas da empresa ETC Participações, cujo capital social era de R$ 100 mil. Uma semana depois, em 15 de março de 2026, ela assinou o contrato de empréstimo com o Banco Master, oferecendo as cotas da ETC como garantia. Com os recursos, em abril de 2026 foi realizada a compra de um imóvel industrial desativado — a antiga fábrica de cimento — distribuído em cinco matrículas.
Valores e garantias
O valor efetivamente pago pela área foi reportado em R$ 45 milhões, enquanto o valor fiscal lançado na matrícula chega a R$ 101 milhões. Parte do terreno foi adquirida por uma subsidiária da ETC e outra parcela foi adquirida por uma empresa chamada AJC Participações, na qual a ETC detém participação. Em 14 de agosto de 2026, consta que a ETC injetou R$ 8,6 milhões na AJC, elevando sua participação.
Movimentações societárias e documentos
Relatórios de registro apontam que a ETC mudou sua sede para João Pessoa em outubro de 2026 e que o último documento público antes das matérias foi registrado em dezembro de 2026. O MPTCU pediu ao TCU que determine ao Banco Master a preservação integral dos contratos, garantias e comunicações relacionadas à operação, para que a fiscalização possa analisar possíveis vínculos ou benefícios indevidos decorrentes de relações familiares.
Pedidos do MPTCU e atuação do Banco Central
Além de requerer a investigação sobre eventual uso de linhas de financiamento públicas ou concessões favorecidas, o MPTCU solicitou ao Banco Central que acompanhe o caso e informe ao TCU sobre medidas de supervisão adotadas em relação ao Banco Master. No documento, o subprocurador-geral enfatiza que, se forem identificadas irregularidades, o Tribunal deve responsabilizar os envolvidos e determinar ações para recuperar eventuais prejuízos ao erário.
Posicionamentos e contexto político
Pela assessoria, Bianca Medeiros afirmou que a operação foi feita em condições usuais de mercado, com garantias fiduciárias compatíveis com o valor contratado, e que a escolha do banco decorreu de critérios negociais e operacionais. A nota também ressaltou que a empresa que realizou a compra não possui relação societária ou de gestão com o deputado federal Hugo Motta, seu cunhado.
Reportagens também trouxeram elementos sobre contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades: mensagens encontradas em dispositivos indicaram encontros e comunicações que colocaram o caso sob atenção pública. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou não ter associações financeiras diretas com o Banco Master e que não integra a estrutura societária da ETC.
Implicações e próximos passos
Com o pedido formalizado, cabe agora ao TCU decidir sobre a abertura de procedimento técnico para apurar os fatos. A investigação pode envolver análise de contratos, fluxos financeiros e eventuais benefícios fiscais ou creditícios. Se confirmadas irregularidades, serão necessárias medidas corretivas por parte do Tribunal e, possivelmente, encaminhamentos para outros órgãos de controle e para o Ministério Público. O desdobramento terá impacto sobre a confiança em relações entre setores públicos e privados e sobre a transparência na concessão de crédito.
