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19 junho 2026

Ataque ao Venus Protocol: exploit com token de baixa liquidez provoca perda milionária

Um ator passou nove meses acumulando THE e, usando uma falha não corrigida descoberta em 2026, executou um loop recursivo que gerou dívida e forçou o Venus Protocol a pausar vários mercados.

Um ataque sofisticado atingiu o Venus Protocol e deixou um rombo de US$ 2,15 milhões, conforme relatado pelo próprio protocolo nesta segunda-feira (16). O agressor não usou um flash loan, os oráculos não falharam e o módulo mais recente, o Venux Flux, permaneceu intacto. Em vez disso, o invasor acumulou lentamente um token de baixa liquidez e explorou uma vulnerabilidade de lógica no contrato, aproveitando a transferência direta de tokens para o contrato do protocolo para contornar limites internos.

O post-mortem do ataque descreve uma operação planejada e técnica: o atacante levou nove meses para montar a posição em THE e, em seguida, instalou um mecanismo repetitivo que ampliou artificialmente o poder de empréstimo. A equipe do Venus classificou o incidente como um bug de código — uma falha que já havia sido identificada em um relatório de auditoria de 2026, mas que não foi corrigida a tempo. O resultado foi dívida inadimplente dentro do protocolo e a consequente necessidade de medidas emergenciais.

O mecanismo do ataque

Segundo a análise divulgada pelo Venus, o atacante executou um loop recursivo composto por passos repetidos: tomar empréstimos em ativos, trocar esses ativos por THE para inflacionar seu preço, transferir THE diretamente para o contrato vTHE para elevar a taxa de câmbio e então repetir o ciclo. Cada iteração aumentava o montante passível de ser emprestado, criando uma bolha artificial de garantia que sustentava novas dívidas até a liquidação parcial ou total. Esse processo converteu a acumulação prévia do token em alavancagem capaz de drenar fundos do protocolo.

Detalhes técnicos

A operação explorou especificamente a possibilidade de contornar o limite de oferta ao transferir tokens diretamente ao contrato do protocolo, sem passar pelas rotinas de atualização de contabilização esperadas. O atacante construiu uma posição dominante de oferta em THE ao longo de nove meses e, ao interagir diretamente com o contrato vTHE, inflou a taxa de conversão de forma que o protocolo passou a reconhecer garantia com valor artificialmente elevado. O efeito cascata culminou na geração de dívida inadimplente e na perda final de US$ 2,15 milhões.

Financiamento do ataque e vestígios on-chain

Pesquisas on-chain compartilhadas por entidades como a Allez Labs e também divulgadas pela comunidade (incluindo Aave) mostram que o ataque foi financiado com 7.447 ETH enviados em 77 transações por meio do mixer Tornado Cash. Esse montante foi avaliado em cerca de R$ 90 milhões na cotação referida pelos analistas. A utilização do mixer dificultou a rastreabilidade inicial, mas a sequência de transferências e trocas deixou um rastro suficiente para mapear o fluxo de capital até o protocolo comprometido.

Vetor conhecido e auditoria anterior

A investigação destaca que o vetor explorado já havia sido levantado em uma auditoria feita pela Code4rena em 2026, porém a recomendação não havia sido implementada. Essa lacuna entre auditoria e correção prática ilustra um problema recorrente em projetos descentralizados: achados técnicos relatados publicamente nem sempre são priorizados para patch imediato, abrindo janela para exploradores capitalizarem sobre a vulnerabilidade.

Resposta do Venus e efeitos no mercado

Como precaução, o Venus Protocol pausou o mercado de empréstimos de THE e outros oito ativos, incluindo BCH, LTC, AAVE, POL, FIL, TWT, UNI e lisUSD. A equipe afirmou que trabalha na correção do bug e que está avaliando a implementação de mecanismos on-chain de monitoramento de risco que possam detectar padrões anômalos de acumulação e acionar revisões no nível de governança, sem comprometer os princípios permissionless do protocolo. Apesar do choque, o token nativo XVS apresentou valorização recente de 3,7% nas últimas 24 horas e 17% na última semana.

Lições e próximos passos

O caso reforça duas lições claras: a urgência de aplicar correções reportadas por auditorias e a necessidade de ferramentas automáticas de detecção de acúmulos atípicos. O Venus anunciou que seus desenvolvedores já trabalham em um patch e em medidas de governança para reduzir a janela de exposição a vetores semelhantes. Para a comunidade, o episódio é um lembrete da importância de acompanhar relatórios de auditoria e de considerar mecanismos de proteção adicionais em protocolos de empréstimo.

Autor

Staff