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17 junho 2026

STF condena Eduardo Bolsonaro a quatro anos por coação no processo

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por tentar interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro.

STF condena Eduardo Bolsonaro a quatro anos por coação no processo

Em uma decisão histórica, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, de forma unânime, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. A condenação decorre de tentativas de interferência no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro que foi sentenciado por crimes relacionados a uma trama golpista.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes destacou que as ações de Eduardo Bolsonaro não apenas prejudicaram autoridades brasileiras, mas também a economia nacional. A pena imposta torna o ex-deputado inelegível imediatamente, com possibilidade de recurso.

As ações que levaram à condenação

A Procuradoria-Geral da República (PGR) investigou e comprovou que Eduardo Bolsonaro atuou junto ao governo dos Estados Unidos para articular sanções contra autoridades e a economia brasileira. Essas ações visavam pressionar o julgamento de Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Em julho de 2026, o então presidente norte-americano Donald Trump anunciou uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, mencionando o processo contra Jair Bolsonaro. Além disso, os EUA sancionaram o ministro Alexandre de Moraes sob a Lei Magnitsky que bloqueia bens e proíbe a entrada no país de supostos violadores de direitos humanos. Eduardo Bolsonaro assumiu a responsabilidade por essas medidas, que foram suspensas

Os argumentos da defesa e a resposta do STF

A defesa de Eduardo Bolsonaro, representada pela Defensoria Pública da União argumentou que o processo deveria ser anulado devido à falta de comunicação oficial. O defensor público Esdras dos Santos Carvalho afirmou que a Justiça não esgotou todos os meios para tentar comunicar Eduardo, que estava nos Estados Unidos desde março de 2026.

Carvalho também pediu o impedimento do ministro relator, Alexandre de Moraes, alegando que ele era vítima das ações de Eduardo. No entanto, Moraes rebateu esses argumentos, destacando que Eduardo foi citado por edital, uma vez que seus domicílios declarados eram no Brasil. O ministro também apresentou publicações e vídeos nas redes sociais que comprovam que Eduardo estava acompanhando o processo desde o início.

Moraes afirmou que a imunidade parlamentar não cobre ações como lobby no exterior contra o próprio país. Além disso, ele destacou que o crime de coação no curso do processo tem como vítima a administração da justiça, não o julgador, portanto, não haveria suspeição.

As consequências da condenação

A condenação de Eduardo Bolsonaro tem várias implicações. Além da pena de prisão, ele foi declarado inelegível por oito anos, a contar do término do cumprimento da pena. Isso significa que ele não poderá disputar eleições até 2038.

Eduardo Bolsonaro pode recorrer da decisão, mas apenas por meio de embargos de declaração que não reexaminam o mérito do caso. Segundo especialistas, é raro que esses recursos alterem a decisão do tribunal. Além disso, a condenação implica a perda do cargo público de escrivão da Polícia Federal e o pagamento de 50 dias-multa, fixados em 2 salários mínimos por dia.

Com a condenação, Eduardo Bolsonaro enfrenta um futuro incerto, tanto no aspecto legal quanto político. Sua atuação nos Estados Unidos e as tentativas de interferência no processo judicial deixam um legado de controvérsias e desafios para o Brasil.