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Simpósio STJ-Interpol discute cooperação contra crimes transnacionais com criptomoedas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) dará continuidade a um diálogo internacional sobre criminalidade transnacional ao participar do 2º Simpósio STJ-Interpol na sede da Interpol, em Lyon. A iniciativa reunirá magistrados federais e estaduais para trocar experiências sobre investigações financeiras que envolvem criptomoedas e o uso de inteligência artificial por organizações criminosas, com sessões previstas para os dias 26 e 27 de maio de 2026.

Essa aproximação reforça a prioridade por respostas conjuntas diante de crimes sem fronteiras.

Além de debates técnicos, o evento incluirá a assinatura de um termo de cooperação que formaliza a parceria entre o STJ e a Interpol. A parceria visa promover capacitação contínua e o intercâmbio de práticas sobre rastreamento de ativos digitais e mecanismos de cooperação jurídica. A programação prevê doze painéis que abordam desde o uso de bases de dados internacionais até procedimentos de notificação de foragidos e bloqueio de bens no exterior.

Objetivos e alcance do simpósio

O simpósio tem como finalidade principal elevar a capacidade de resposta das autoridades judiciais diante de esquemas transnacionais que se apoiam em tecnologias emergentes. Segundo a liderança do STJ, a transformação das práticas criminosas — impulsionada por novas tecnologias, incluindo criptomoedas e inteligência artificial — exige instrumentos modernos de cooperação. A iniciativa busca criar protocolos práticos para acelerar solicitações de assistência internacional, melhorar o compartilhamento de inteligência e uniformizar procedimentos de congelamento de ativos, reduzindo a margem de manobra de redes ilícitas.

Temas centrais e formação dos magistrados

Ao longo dos dois dias, o conteúdo programático explorará uma combinação de teoria e prática voltada à atuação judicial no ambiente digital. Os participantes discutirão o funcionamento de bases de dados globais, estratégias para a identificação de transações em blockchain e os desafios da prova eletrônica em processos penais. A ideia é que juízes adquiram ferramentas para avaliar pedidos de cooperação internacional com mais rapidez e técnica, alinhando decisões nacionais a padrões internacionais de investigação.

Painéis e conteúdo prático

Os doze painéis previstos incluem apresentações sobre o papel da Interpol na articulação entre forças policiais dos 196 países membros e estudos de caso sobre operações bem-sucedidas de recuperação de ativos digitais. Serão abordadas ainda técnicas de rastreio financeiro, procedimentos para emissão de alertas vermelhos e a utilização de plataformas de informação compartilhada. O objetivo prático é transformar teoria em procedimentos aplicáveis em investigações que envolvem lavagem de dinheiro via criptoativos.

Capacitação e impacto na atuação judicial

A proposta de formação coloca ênfase na qualificação de magistrados que atuam em matéria penal e em assistências jurídicas internacionais. Na prática, isso significa treinamentos sobre identificação de estruturas de ocultação de patrimônio, análise de fluxos em exchanges e a integração com unidades de inteligência financeira. A presença do STJ em Lyon marca a primeira atividade de formação promovida pela Interpol em sua sede, um passo simbólico para ampliar o intercâmbio técnico entre o Judiciário brasileiro e órgãos internacionais.

Cooperação internacional e desafios futuros

O combate a organizações criminosas que usam instrumentos digitais depende de coordenação entre jurisdições e da rapidez nas respostas jurídicas. Instituições como a Interpol — a Organização Internacional de Polícia Criminal fundada em 1923 e composta por 196 países — facilitam esse diálogo ao reduzir obstáculos processuais e ao promover canais de comunicação para apreensão de bens e extradições. O acordo assinado na abertura do simpósio pretende consolidar rotinas de atuação e ampliar projetos conjuntos de inovação forense digital.

Historicamente, o Brasil sediou a primeira edição do fórum em 2026, o que acelerou o calendário de intercâmbio com parceiros europeus. O encontro em Lyon mostra um esforço contínuo para impedir a fuga de capitais e dificultar a ocultação de fortunas em plataformas descentralizadas. Em suma, a convergência entre poder judiciário, plataformas técnicas e agências policiais é considerada essencial para manter a eficácia das investigações em um cenário onde criminosos exploram tecnologias cada vez mais sofisticadas.

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