Pular para o conteúdo
24 junho 2026

Simpósio STJ-Interpol discute cooperação contra crimes transnacionais com criptomoedas

STJ e Interpol reúnem magistrados em Lyon para fortalecer a cooperação judicial e técnica contra delitos que exploram criptomoedas e novas tecnologias

Simpósio STJ-Interpol discute cooperação contra crimes transnacionais com criptomoedas

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) dará continuidade a um diálogo internacional sobre criminalidade transnacional ao participar do 2º Simpósio STJ-Interpol na sede da Interpol, em Lyon. A iniciativa reunirá magistrados federais e estaduais para trocar experiências sobre investigações financeiras que envolvem criptomoedas e o uso de inteligência artificial por organizações criminosas, com sessões previstas para os dias 26 e 27 de maio de 2026. Essa aproximação reforça a prioridade por respostas conjuntas diante de crimes sem fronteiras.

Além de debates técnicos, o evento incluirá a assinatura de um termo de cooperação que formaliza a parceria entre o STJ e a Interpol. A parceria visa promover capacitação contínua e o intercâmbio de práticas sobre rastreamento de ativos digitais e mecanismos de cooperação jurídica. A programação prevê doze painéis que abordam desde o uso de bases de dados internacionais até procedimentos de notificação de foragidos e bloqueio de bens no exterior.

Objetivos e alcance do simpósio

O simpósio tem como finalidade principal elevar a capacidade de resposta das autoridades judiciais diante de esquemas transnacionais que se apoiam em tecnologias emergentes. Segundo a liderança do STJ, a transformação das práticas criminosas — impulsionada por novas tecnologias, incluindo criptomoedas e inteligência artificial — exige instrumentos modernos de cooperação. A iniciativa busca criar protocolos práticos para acelerar solicitações de assistência internacional, melhorar o compartilhamento de inteligência e uniformizar procedimentos de congelamento de ativos, reduzindo a margem de manobra de redes ilícitas.

Temas centrais e formação dos magistrados

Ao longo dos dois dias, o conteúdo programático explorará uma combinação de teoria e prática voltada à atuação judicial no ambiente digital. Os participantes discutirão o funcionamento de bases de dados globais, estratégias para a identificação de transações em blockchain e os desafios da prova eletrônica em processos penais. A ideia é que juízes adquiram ferramentas para avaliar pedidos de cooperação internacional com mais rapidez e técnica, alinhando decisões nacionais a padrões internacionais de investigação.

Painéis e conteúdo prático

Os doze painéis previstos incluem apresentações sobre o papel da Interpol na articulação entre forças policiais dos 196 países membros e estudos de caso sobre operações bem-sucedidas de recuperação de ativos digitais. Serão abordadas ainda técnicas de rastreio financeiro, procedimentos para emissão de alertas vermelhos e a utilização de plataformas de informação compartilhada. O objetivo prático é transformar teoria em procedimentos aplicáveis em investigações que envolvem lavagem de dinheiro via criptoativos.

Capacitação e impacto na atuação judicial

A proposta de formação coloca ênfase na qualificação de magistrados que atuam em matéria penal e em assistências jurídicas internacionais. Na prática, isso significa treinamentos sobre identificação de estruturas de ocultação de patrimônio, análise de fluxos em exchanges e a integração com unidades de inteligência financeira. A presença do STJ em Lyon marca a primeira atividade de formação promovida pela Interpol em sua sede, um passo simbólico para ampliar o intercâmbio técnico entre o Judiciário brasileiro e órgãos internacionais.

Cooperação internacional e desafios futuros

O combate a organizações criminosas que usam instrumentos digitais depende de coordenação entre jurisdições e da rapidez nas respostas jurídicas. Instituições como a Interpol — a Organização Internacional de Polícia Criminal fundada em 1923 e composta por 196 países — facilitam esse diálogo ao reduzir obstáculos processuais e ao promover canais de comunicação para apreensão de bens e extradições. O acordo assinado na abertura do simpósio pretende consolidar rotinas de atuação e ampliar projetos conjuntos de inovação forense digital.

Historicamente, o Brasil sediou a primeira edição do fórum em 2026, o que acelerou o calendário de intercâmbio com parceiros europeus. O encontro em Lyon mostra um esforço contínuo para impedir a fuga de capitais e dificultar a ocultação de fortunas em plataformas descentralizadas. Em suma, a convergência entre poder judiciário, plataformas técnicas e agências policiais é considerada essencial para manter a eficácia das investigações em um cenário onde criminosos exploram tecnologias cada vez mais sofisticadas.

Autor

Susanna Cardinale

Susanna Cardinale encontrou uma série de cartas antigas no arquivo paroquial de Verona, fonte para uma investigação sobre a memória da cidade; atua como colaboradora histórica e elabora dossiês e guias temáticos. Estudou literatura e participa de leituras públicas em livrarias de Verona.