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14 maio 2026

Resultados do 1º trimestre: Petrobras tem lucro, menor fluxo de caixa e dívida em alta

Petrobras reporta lucro alinhado ao consenso, redução do fluxo de caixa livre e possível efeito positivo do aumento do petróleo no 2º trimestre

Resultados do 1º trimestre: Petrobras tem lucro, menor fluxo de caixa e dívida em alta

A Petrobras (PETR3; PETR4) divulgou os resultados do 1º trimestre de 2026 na noite desta segunda-feira (11). A estatal registrou lucro líquido de R$ 32,66 bilhões, cifra praticamente em linha com a projeção de R$ 30 bilhões do consenso consultado pela LSEG. Em comparação ao mesmo período de 2026, o lucro apresentou uma queda de 7,2% — no 1º trimestre de 2026 o resultado havia sido de R$ 35,2 bilhões. Esses números chegam em um momento em que a volatilidade do mercado petrolífero e os efeitos cambiais seguem no radar dos analistas.

O balanço também trouxe indicadores operacionais e de caixa que merecem atenção. O Ebitda ajustado ficou em R$ 59,6 bilhões, com leve recuo de 2,4% ano a ano. Já o fluxo de caixa livre recuou para R$ 20 bilhões, queda de 22,9% frente aos R$ 26 bilhões do 1º trimestre de 2026. Essas métricas — frequentemente usadas por investidores para avaliar a capacidade de distribuição de proventos — mostram que, apesar do lucro robusto, a liquidez operacional sofreu compressão no período.

Desempenho contábil e ajustes

No relatório, a companhia destacou também o lucro líquido desconsiderando eventos exclusivos, que foi informado em R$ 32,7 bilhões. Entre os itens que explicam a diferença aparecem ganho com variação cambial e reversão de impairment — ou seja, ajuste na recuperação do valor de ativos. A receita de vendas teve ligeiro aumento de 0,4%, totalizando R$ 123,86 bilhões, o que ajuda a explicar a resiliência do resultado mesmo diante de oscilações de margem em alguns segmentos.

Ajustes e itens não recorrentes

Ao detalhar os efeitos não recorrentes, a estatal apontou que ganhos cambiais e reavaliações contábeis fizeram diferença no resultado final. O uso do termo Ebitda aqui é para indicar o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, que é a métrica preferida do mercado para comparar performance operacional. Esse ajuste torna a leitura mais fiel sobre a capacidade de geração operacional, descontados efeitos financeiros e contábeis que não refletem a operação cotidiana.

Estrutura de capital, dívida e investimentos

A dívida líquida da Petrobras aumentou para US$ 62 bilhões, ante US$ 56 bilhões no 1º trimestre de 2026, avanço de 10,8%. Mesmo com esse aumento, a alavancagem medida por dívida líquida sobre o LTM Ebitda ajustado caiu ligeiramente para 1,43x, ante 1,45x um ano antes. Em 31 de março de 2026, o caixa e equivalentes somavam R$ 34,3 bilhões, e as disponibilidades ajustadas totalizavam R$ 47,6 bilhões, dados que ajudam a compor a visão sobre liquidez de curto prazo.

Capex e foco em exploração e produção

Os investimentos no trimestre ficaram em US$ 5,1 bilhões, recuo de 19,1% frente ao 4T25, mas aumento de 25,6% sobre o 1T25. O segmento de Exploração e Produção concentrou 87,4% do Capex no período, refletindo a prioridade em manter o ritmo de execução de projetos no pré-sal. A intensidade de investimento e o perfil de desembolso são fatores centrais para entender a evolução futura do fluxo de caixa e das potencialidades de produção.

Preço do petróleo, câmbio e efeitos previstos

A estatal informou que o preço médio do Brent no trimestre foi de US$ 80,61 por barril, alta de 6,5% frente aos US$ 75,66 do mesmo período de 2026. O dólar médio de venda caiu 9,9%, para R$ 5,26, ante R$ 5,84 do 1T25. Apesar da elevação do petróleo, a companhia ressaltou que o impacto nas exportações segue com defasagens de precificação: em mercados como o asiático, a referência de preço costuma considerar as cotações do mês anterior à chegada da carga, o que empurra parte do efeito positivo para o 2º trimestre.

O que o mercado espera e próximos passos

Antes da divulgação, analistas das principais instituições projetavam um Ebitda entre aproximadamente US$ 11,5 bilhões e US$ 13,3 bilhões e esperavam distribuição de dividendos em torno de US$ 2,4 bilhões. Mesmo com resultados sólidos, investidores ficarão atentos à teleconferência da administração na manhã desta terça-feira, em busca de sinais sobre política de preços de combustíveis e prioridades de capital. Em suma, o balanço confirma rentabilidade robusta, mas expõe pressões de caixa e a sensibilidade do resultado a câmbio e preços do petróleo.

Autor

Vasco Sousa

Vasco Sousa coordena salas de edição em Lisboa com porte executivo e fato escuro, conhecido por afinar pautas em reuniões rápidas no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Exerceu funções editoriais em suplementos locais, licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Lisboa e colecionador de cadernos de reportagem antigos.