A Petrobras (PETR3; PETR4) divulgou os resultados do 1º trimestre de 2026 na noite desta segunda-feira (11). A estatal registrou lucro líquido de R$ 32,66 bilhões, cifra praticamente em linha com a projeção de R$ 30 bilhões do consenso consultado pela LSEG. Em comparação ao mesmo período de 2026, o lucro apresentou uma queda de 7,2% — no 1º trimestre de 2026 o resultado havia sido de R$ 35,2 bilhões. Esses números chegam em um momento em que a volatilidade do mercado petrolífero e os efeitos cambiais seguem no radar dos analistas.
O balanço também trouxe indicadores operacionais e de caixa que merecem atenção. O Ebitda ajustado ficou em R$ 59,6 bilhões, com leve recuo de 2,4% ano a ano. Já o fluxo de caixa livre recuou para R$ 20 bilhões, queda de 22,9% frente aos R$ 26 bilhões do 1º trimestre de 2026. Essas métricas — frequentemente usadas por investidores para avaliar a capacidade de distribuição de proventos — mostram que, apesar do lucro robusto, a liquidez operacional sofreu compressão no período.
Desempenho contábil e ajustes
No relatório, a companhia destacou também o lucro líquido desconsiderando eventos exclusivos, que foi informado em R$ 32,7 bilhões. Entre os itens que explicam a diferença aparecem ganho com variação cambial e reversão de impairment — ou seja, ajuste na recuperação do valor de ativos. A receita de vendas teve ligeiro aumento de 0,4%, totalizando R$ 123,86 bilhões, o que ajuda a explicar a resiliência do resultado mesmo diante de oscilações de margem em alguns segmentos.
Ajustes e itens não recorrentes
Ao detalhar os efeitos não recorrentes, a estatal apontou que ganhos cambiais e reavaliações contábeis fizeram diferença no resultado final. O uso do termo Ebitda aqui é para indicar o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, que é a métrica preferida do mercado para comparar performance operacional. Esse ajuste torna a leitura mais fiel sobre a capacidade de geração operacional, descontados efeitos financeiros e contábeis que não refletem a operação cotidiana.
Estrutura de capital, dívida e investimentos
A dívida líquida da Petrobras aumentou para US$ 62 bilhões, ante US$ 56 bilhões no 1º trimestre de 2026, avanço de 10,8%. Mesmo com esse aumento, a alavancagem medida por dívida líquida sobre o LTM Ebitda ajustado caiu ligeiramente para 1,43x, ante 1,45x um ano antes. Em 31 de março de 2026, o caixa e equivalentes somavam R$ 34,3 bilhões, e as disponibilidades ajustadas totalizavam R$ 47,6 bilhões, dados que ajudam a compor a visão sobre liquidez de curto prazo.
Capex e foco em exploração e produção
Os investimentos no trimestre ficaram em US$ 5,1 bilhões, recuo de 19,1% frente ao 4T25, mas aumento de 25,6% sobre o 1T25. O segmento de Exploração e Produção concentrou 87,4% do Capex no período, refletindo a prioridade em manter o ritmo de execução de projetos no pré-sal. A intensidade de investimento e o perfil de desembolso são fatores centrais para entender a evolução futura do fluxo de caixa e das potencialidades de produção.
Preço do petróleo, câmbio e efeitos previstos
A estatal informou que o preço médio do Brent no trimestre foi de US$ 80,61 por barril, alta de 6,5% frente aos US$ 75,66 do mesmo período de 2026. O dólar médio de venda caiu 9,9%, para R$ 5,26, ante R$ 5,84 do 1T25. Apesar da elevação do petróleo, a companhia ressaltou que o impacto nas exportações segue com defasagens de precificação: em mercados como o asiático, a referência de preço costuma considerar as cotações do mês anterior à chegada da carga, o que empurra parte do efeito positivo para o 2º trimestre.
O que o mercado espera e próximos passos
Antes da divulgação, analistas das principais instituições projetavam um Ebitda entre aproximadamente US$ 11,5 bilhões e US$ 13,3 bilhões e esperavam distribuição de dividendos em torno de US$ 2,4 bilhões. Mesmo com resultados sólidos, investidores ficarão atentos à teleconferência da administração na manhã desta terça-feira, em busca de sinais sobre política de preços de combustíveis e prioridades de capital. Em suma, o balanço confirma rentabilidade robusta, mas expõe pressões de caixa e a sensibilidade do resultado a câmbio e preços do petróleo.
