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17 maio 2026

Preservação da fertilidade: como e por que pensar no congelamento de óvulos

Descubra por que o congelamento de óvulos é uma opção para adiar a maternidade, quais exames orientarão a decisão e o que esperar em termos de resultados

Preservação da fertilidade: como e por que pensar no congelamento de óvulos

Hoje muitas mulheres estão construindo carreiras e projetos pessoais antes de considerar a maternidade, e essa mudança social encontrou um corpo humano que não se adaptou ao mesmo ritmo. A partir dos 35 anos a reserva ovariana tende a diminuir mais rapidamente e a qualidade dos óvulos pode cair, o que transforma a tentativa de gravidez em um desafio maior. Especialistas que participaram de painéis no São Paulo Innovation Week costumam lembrar que, embora as expectativas da vida moderna tenham mudado, o organismo feminino ainda segue o padrão biológico herdado, o que torna o planejamento reprodutivo mais urgente para quem deseja adiar a gestação.

Nesse cenário, o congelamento de óvulos surge como uma alternativa para quem quer preservar a possibilidade de gravidez sem abrir mão de outros projetos. Importante destacar que o procedimento não garante uma gestação futura, mas oferece uma margem de escolha maior. Profissionais como Melissa Cavagnoli e Viviane Monteiro explicam que a decisão envolve aspectos clínicos, emocionais e logísticos: desde a avaliação inicial até a necessidade de múltiplos ciclos de estimulação. Informar-se com antecedência e com profissionais de reprodução assistida é a forma mais segura de avaliar riscos e benefícios.

Por que a idade influencia tanto

A influência da idade sobre a fertilidade decorre de dois fatores centrais: o número e a qualidade dos óvulos. Mulheres nascem com um estoque finito que se reduz continuamente até a menopausa; por isso, a partir dos 35 anos a queda se acelera. Médicas especialistas explicam que essa realidade implica não apenas maior dificuldade de concepção, mas também aumento das taxas de aborto espontâneo e de risco de alterações cromossômicas, como a síndrome de Down. Para ilustrar a diferença, a idade atua na integridade genética dos óvulos: com o passar dos anos, a chance de um óvulo saudável por coleta diminui, exigindo uma estratégia mais proativa quando se pretende preservar fertilidade.

Avaliação e momento ideal para decidir

O consenso entre especialistas é que mulheres interessadas em preservar a fertilidade façam uma avaliação antes que a janela de oportunidade se estreite. Recomenda-se iniciar a reflexão por volta dos 30 anos e realizar exames para medir a reserva ovariana e a resposta hormonal aos estímulos. A médica Melissa Cavagnoli sugere antecipar a investigação em cerca de cinco anos para permitir tempo hábil a múltiplos ciclos de coleta, caso sejam necessários. A partir dos resultados, a paciente e a equipe médica decidem se adotar o congelamento de óvulos agora ou aguardar, sempre levando em conta as probabilidades e o contexto pessoal.

Exames, ciclos e metas

Os exames iniciais costumam incluir dosagens hormonais e ultrassonografias que estimam a reserva ovariana. Não é possível prever quantos óvulos serão obtidos por ciclo de maneira precisa, razão pela qual especialistas fixam metas de congelamento: entre 15 e 20 óvulos é considerado um número que aumenta significativamente as chances de uma futura gravidez. A idade influencia a meta: mulheres mais jovens tendem a precisar de menos óvulos por terem maior qualidade por unidade coletada. Também é vital entender que a técnica de vitrificação atual conserva bem os óvulos, mas o sucesso final depende da qualidade original.

O que esperar do processo e usos clínicos

O procedimento típico envolve estimulação hormonal, punção para coleta, e a vitrificação dos óvulos. Embora tecnicamente avançado, o método não elimina os efeitos do tempo sobre o corpo; ele apenas cria uma alternativa para quem muda de ideia mais tarde ou para pacientes que enfrentarão tratamentos que ameaçam a fertilidade, como alguns regimes oncológicos. Médicos lembram que, em casos de câncer, o congelamento pode ser essencial para preservar a possibilidade de gestação após o tratamento. Em todos os cenários, acompanhamento psicológico e orientação realista sobre taxas de sucesso são partes integrantes do manejo.

Para quem considera essa alternativa, o caminho prático envolve buscar uma consulta com especialistas em reprodução assistida, solicitar os exames de reserva ovariana, discutir metas de congelamento e entender a logística dos ciclos. Decidir pelo congelamento de óvulos é uma escolha pessoal que equilibra expectativas, tempo e informações médicas confiáveis. Eventos como o São Paulo Innovation Week têm servido de palco para esse debate, reforçando a importância de escolhas informadas em um contexto onde ciência e mudanças sociais se cruzam.

Autor

Martina Marchesi

Martina Marchesi liderou a equipe que cobriu o plano urbanístico de Firenze, mantendo uma linha editorial centrada na análise documental. Como subdiretora, revela um detalhe pessoal reconhecível: um mapa manuscrito dos bairros de Firenze na sua agenda.