Os mercados receberam com sobressalto os números do PPI (índice de preços ao produtor) divulgados pelo BLS em 27 de fevereiro. A leitura mostrou alta de 0,5% em janeiro, acima da expectativa de 0,3%, reacendendo o debate sobre pressões inflacionárias que podem chegar ao consumidor final e influenciar ativos de risco, como o Bitcoin.
O efeito imediato apareceu nas cotações: após alcançar os US$ 70.000 em 25 de fevereiro, a principal criptomoeda regressou para a faixa dos US$ 65.400, perdendo os ganhos da semana.
Outras moedas importantes também seguiram o movimento de baixa.
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O que os números do PPI mostram
O relatório do BLS revelou que, apesar de uma tendência de queda na comparação anual, o PPI mensal subiu 0,5% em janeiro de 2026 — acima das previsões. Em termos anuais, o índice passou de 3,8% para 2,9% em relação a janeiro de 2026. A leitura combina componentes opostos: enquanto alimentos e bens de energia recuaram 1,5% e 2,7%, respectivamente, as margens de comércio avançaram 2,5%, impulsionando o resultado mensal.
Implicações para o consumidor e para o mercado
Economistas interpretam o PPI como uma antevisão do que poderá aparecer nos índices ao consumidor: aumentos nos custos de produção tendem a ser repassados para os preços finais ao longo do tempo. Assim, o choque mensal maior que o esperado alimentou receios de que a inflação ao consumidor volte a acelerar, o que, por sua vez, influencia expectativas sobre taxa de juros, liquidez e apetite por risco.
Reação do mercado de criptomoedas
O impacto atingiu o ecossistema cripto de forma ampla: além do Bitcoin, grandes tokens ficaram no vermelho nas últimas 24 horas. O Ethereum recuou cerca de 3,3%, enquanto BNB e XRP registraram quedas próximas a 1,3% e 2,9%, respectivamente. Entre as maiores perdas do dia, a Solana caiu ~4,4%.
Movimentos atípicos e exceções
Nem todos os ativos seguiram a tendência negativa: projetos menores apontaram valorização pontual. Destaques de alta incluíram Decred (+9,6%), Chiliz (+7%) e LayerZero (+6,5%). Esses movimentos sugerem que, em momentos de volatilidade macro, flows seletivos e reentradas táticas podem gerar performances discrepantes entre tokens.
Visões de analistas sobre o curto e médio prazo
Relatórios recentes de instituições e vozes influentes no mercado traçam cenários mistos. A Coinbase destacou que há um suporte relevante em torno de US$ 60.000 para o Bitcoin, mas alertou para risco de desdobramentos maiores caso esse patamar seja rompido.
Willy Woo, analista conhecido, publicou uma leitura cautelosa: segundo ele, a fase de venda intensa mostrou sinais de esgotamento, porém a retomada sustentada dependerá da recuperação da liquidez tanto no mercado spot quanto em futuros. Woo projetou que uma reação significativa poderá ocorrer apenas 000, US$ 30.000 ou até US$ 16.000 em extremos de stress macro.
Em contrapartida, investidores otimistas — incluindo figuras públicas — veem a correção como oportunidade de compra, ressaltando a diferença entre análise técnica, macro e convicção de longo prazo.
O que monitorar nas próximas semanas
Para quem acompanha o mercado, três pontos merecem atenção: o comportamento do PPI e de outros indicadores de inflação, a evolução da liquidez em mercados spot e de derivativos, e a reação dos grandes detentores (whales) e investidores institucionais. Movimentos bruscos em qualquer desses vetores podem acelerar tendências e ampliar a volatilidade.
A dinâmica nos próximos meses dependerá da combinação entre dados macro, decisões de investidores institucionais e nível de liquidez nos mercados.

