O mercado de criptomoedas tem enfrentado desafios significativos nos últimos meses, com o Bitcoin sendo um dos principais afetados. Robbie Mitchnick, head de ativos digitais da BlackRock compartilhou sua perspectiva sobre os fatores que estão influenciando o preço da criptomoeda mais valiosa do mundo.
Em uma entrevista ao Yahoo Finance em 22 de junho, Mitchnick destacou que o momentum da inteligência artificial (IA) tem absorvido grande parte do capital que poderia estar sendo investido em ativos digitais. Essa tendência não é exclusiva do Bitcoin, mas também afeta outros ativos não relacionados à IA, como ouro e metais preciosos.
O impacto da inteligência artificial no mercado de criptomoedas
Mitchnick afirmou que o período desde outubro de 2026 tem sido difícil para o Bitcoin e para o mercado cripto como um todo. Ele comparou a situação a um ambiente onde a IA está sugando todo o oxigênio da sala atraindo investimentos que poderiam estar direcionados a outros setores.
Essa visão é compartilhada por outros nomes da indústria, como Michael Saylor, fundador da Strategy que também vincula a queda do Bitcoin à rotação de capital para o setor de IA. Ações de empresas como IntelMarvellAMD e Broadcom têm subido significativamente, enquanto o Bitcoin opera em torno de US$ 62.300, com uma queda de aproximadamente 28,9% em 2026.
A dívida americana e as taxas de juros como fatores determinantes
Além do impacto da IA, Mitchnick destacou a importância de monitorar a dívida americana e as decisões do Federal Reserve sobre as taxas de juros. A dívida dos EUA está acima de US$ 39 trilhões e deve alcançar seu teto de US$ 41 trilhões em 2027. Esses fatores fiscais podem ter um impacto significativo no mercado de criptomoedas, especialmente no Bitcoin.
O executivo da BlackRock também mencionou que o Bitcoin tem uma exposição negativa às taxas de juros, o que significa que aumentos nas taxas podem pressionar ainda mais o preço da criptomoeda. Previsões sugerem que o Fed pode decidir por um aumento de 0,25% na reunião de setembro, o que pode influenciar o mercado.
O futuro do Bitcoin e os desafios atuais
Apesar dos desafios atuais, Mitchnick não vê o quadro como uma sentença definitiva para o Bitcoin. Ele acredita que a demanda por ativos digitais pode reagir a preocupações com a disciplina fiscal de Washington, especialmente se a dívida federal continuar a crescer.
Jay Jacobs, chefe de ETFs de renda variável da BlackRock nos EUA, também afirmou que o Bitcoin já alcançou tamanho suficiente para deixar de ser ignorado por alocadores institucionais. Isso sugere que, apesar dos desafios atuais, o Bitcoin ainda tem um papel importante no mercado financeiro.
No mercado local, a desvalorização do dólar em relação ao real tem amortecido as perdas para investidores brasileiros, que veem o Bitcoin cotado a aproximadamente R$ 323 mil. No entanto, a combinação de queda no preço em dólar e câmbio depreciado ainda representa um desafio para quem comprou a criptomoeda antes do topo.
Enquanto a IA continua a dominar a atenção do mercado, o Bitcoin enfrenta a concorrência por capital institucional. No entanto, a comunidade cripto continua a monitorar indicadores que podem apontar para uma possível retomada, como métricas de funding rate que sugerem um retorno aos US$ 70 mil caso o fluxo de ETFs vire.


