O décimo relatório FInfluence, produzido pela Anbima em parceria com o IBPAD, apresenta um quadro interessante do debate financeiro nas redes sociais no 2º semestre de 2026. Embora as ações tenham sido o produto mais mencionado — com crescimento superior a 400% e cerca de 129.968 registros —, o indicador que mede a atenção do público por publicação mostra outra realidade: temas ligados à proteção e planejamento de longo prazo atraem mais interações por post. Essa distinção entre volume de menções e engajamento médio é o eixo central das conclusões do estudo.
O relatório acompanha o comportamento de centenas de criadores e milhares de perfis em plataformas como X, YouTube, Instagram e Facebook, monitorando tendências desde 2026. No semestre analisado houve um aumento de 44,9% nas conversas sobre produtos financeiros, mas essa expansão não foi uniforme entre categorias: alguns ativos ganharam destaque em volume, outros em profundidade de interação.
Menções e o contraste com o interesse do público
O dado mais chamativo é a discrepância entre os dois indicadores. Enquanto ações concentraram o maior volume de menções (129.968), o engajamento médio por publicação para ações ficou em torno de 3.017 interações. Por outro lado, produtos como previdência privada, poupança e renda fixa aparecem no topo do ranking de engajamento, com médias entre 6.072 e 7.617 interações por post. Isso indica que nem sempre o assunto mais falado é o que gera maior envolvimento.
Produtos com maior engajamento médio
O levantamento lista o engajamento médio por produto, evidenciando a preferência da audiência por temas ligados a planejamento e segurança. No topo estão previdência privada (7.617), seguida por poupança (6.082) e renda fixa (6.072). Em seguida vêm fundos (5.818), ouro (5.199) e FIIs (5.088). Ao mostrar esse comportamento, o estudo reforça que formatos que tratam de alocação e proteção tendem a gerar conversas mais profundas e duradouras do que postagens puramente especulativas.
Volume de menções por produto
Na outra ponta, os números de menções destacam quais temas foram mais debatidos no semestre: ações (129.968), criptomoedas (56.867), câmbio (36.608), fundos (20.948) e ouro (16.860). Produtos como comodities, renda fixa e FIIs mantiveram presença relevante, enquanto poupança e previdência privada tiveram menos menções, mas com maior interação por post. Esses dados mostram que criadores frequentemente combinam ativos — por exemplo, ações, cripto, câmbio e ouro em discussões de posicionamento — influenciando o rendimento social de cada tema.
Interpretações e consequências para criadores
Segundo Amanda Brum, CMO da Anbima, existe um padrão recorrente: o produto mais citado nem sempre desperta mais interesse. A explicação aponta para a forma como o ativo é contextualizado dentro de uma narrativa de carteira: quando o conteúdo aborda alocação, proteção e objetivos de longo prazo, a conectação com o público tende a ser mais forte, independentemente do volume de menções. Em outras palavras, a linguagem e o formato do conteúdo são determinantes para transformar menções em interações qualificadas.
Diferenças de abordagem entre produtos
A pesquisa destaca também que produtos como fundos costumam ser apresentados de forma mais estruturada, com foco em composição de carteira e alocação, o que explica a consistência do interesse mesmo com menor freqüência de posts. Em contrapartida, temas mais sensíveis a curto prazo, como ações e criptomoedas, acumulam muitas menções em momentos de alta volatilidade, mas geram menos interações por post quando comparados a assuntos de planejamento.
Tendências gerais e recomendações
O estudo ressalta também que assuntos de finanças pessoais tiveram forte desempenho no semestre, com média de 5.063 interações por post, ultrapassando vários ativos isolados. Posts sobre política brasileira e economia brasileira registraram médias de 4.574 e 4.089 interações, respectivamente. Para criadores, a lição é clara: investir em narrativas que expliquem utilidade, risco e posição na carteira tende a aumentar o engajamento qualitativo. O FInfluence segue sendo uma ferramenta útil para mapear essas dinâmicas desde 2026, oferecendo subsidios para decisões de comunicação e estratégia de conteúdo.