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25 junho 2026

PIB brasileiro cresce mais que o esperado com consumo e investimentos em alta

O PIB brasileiro surpreendeu no primeiro trimestre de 2026, com crescimento impulsionado pelo consumo das famílias e investimentos. Entenda os fatores por trás desse cenário.

PIB brasileiro cresce mais que o esperado com consumo e investimentos em alta

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou um crescimento surpreendente no primeiro trimestre de 2026, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias e investimentos. Segundo Paulo Picchetti diretor de Política Econômica e de Assuntos Internacionais do Banco Central a expansão foi mais intensa em componentes mais cíclicos, sensíveis à política monetária.

O crescimento do PIB não só superou as expectativas em termos de intensidade, mas também em sua composição. O consumo das famílias e os investimentos foram os principais motores dessa expansão. Apesar disso, os investimentos ainda estão em níveis baixos para padrões históricos, insuficientes para sustentar o PIB a longo prazo.

Mercado de trabalho robusto e políticas públicas impulsionam a renda

O mercado de trabalho tem mostrado sinais de força, com a taxa de desemprego renovando mínimas históricas. A desaceleração na criação de empregos parece refletir uma restrição da oferta de trabalhadores, e não uma perda de fôlego pelo lado da demanda. Além disso, políticas públicas como o aumento real do salário mínimo a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o programa Desenrola 2.0 têm contribuído para o aumento da renda das famílias.

Essas medidas têm afetado diretamente o consumo, que tem se mantido em alta mesmo com os juros elevados. O Banco Central incluiu os estímulos do governo como um risco altista para o IPCA indicando que a inflação pode ser pressionada pelo aumento do consumo.

Consumo em alta, mas endividamento preocupa

Apesar do cenário positivo, especialistas alertam para o nível de endividamento das famílias. Os dados mais recentes do Banco Central mostram que o indicador de endividamento chegou a 49,8% em março, alta de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2026. A inadimplência também tem aumentado, especialmente nas linhas de crédito com recursos livres, onde o calote chegou a 7,2%.

André Sacconato, assessor econômico da FecomercioSP destaca que a classe média está pressionada devido ao consumo sustentado pelo crédito, que está cada vez mais caro. Ele alerta que o modelo econômico atual, baseado em transferências de renda, não é sustentável a longo prazo, pois aumenta o endividamento e a inadimplência.

Projeções e desafios futuros

Mesmo com a perspectiva de juros e inflação elevados nos próximos meses, especialistas avaliam que o consumo das famílias deve continuar crescendo em 2026. A projeção do FGV Ibre é que o consumo das famílias encerre o ano com alta de 2,2%, acima do crescimento de 1,3% registrado no ano passado.

Paulo Picchetti ressaltou que as projeções da autoridade monetária indicam uma queda acentuada da inflação na passagem do último trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. No entanto, a dispersão e assimetria nas estimativas estão elevadas, o que aumenta a incerteza em torno das projeções de inflação.

O diretor do Banco Central também destacou o aumento da estimativa para o IPCA no fim de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% no relatório anterior para 3,7% no atual. Ele afirmou que houve uma piora dos condicionantes da inflação, o que pode impactar as projeções futuras.