Pular para o conteúdo
25 junho 2026

Pecuária sustentável em Rondônia: como boas práticas estão revolucionando o setor

A pecuária leiteira de Rondônia está passando por uma transformação significativa, impulsionada por pesquisas científicas e parcerias estratégicas

Pecuária sustentável em Rondônia: como boas práticas estão revolucionando o setor

A pecuária leiteira de Rondônia está passando por uma transformação significativa, impulsionada por pesquisas científicas e parcerias estratégicas. Com cerca de 26 mil famílias envolvidas, o estado ocupa a 11ª posição no ranking nacional de produção leiteira, tendo registrado 619 milhões de litros em 2026, o maior volume da Região Norte.

Essa evolução é resultado de um esforço conjunto entre a Embrapa produtores rurais, técnicos e o setor industrial. A pesquisa saiu do laboratório para o campo, identificando os principais fatores de risco e propondo soluções práticas para melhorar a qualidade do leite.

Desafios e soluções na cadeia produtiva

Os principais desafios identificados estão relacionados ao controle da contagem bacteriana associado a falhas na adoção de boas práticas de ordenha e à deficiência na logística de refrigeração. O uso de “carretinhas” para transporte intermediário e a higienização inadequada dos latões contribuem para o aumento da carga bacteriana.

Atualmente, 78% dos produtores do estado estão vinculados a sistemas de tanques coletivos. No entanto, a pesquisa indica que tanques com mais de cinco produtores apresentam maior risco de contaminação, levantando a necessidade de reavaliação desse modelo por parte da indústria.

Além disso, falhas no manejo sanitário dentro das propriedades elevam o risco de mastite bovina. Sistemas mais tecnificados, incluindo ordenha mecânica e uso de animais especializados, apresentaram maior probabilidade de ocorrência da doença. A contagem de células somáticas (CCS) em tanques vinculados às indústrias indica uma tendência de aumento da média no estado, sinalizando novos desafios para o controle da saúde do úbere.

Projeto piloto e boas práticas

Entre 2017 e 2018, quatro propriedades representativas dos principais sistemas de produção da região foram selecionadas para um estudo de validação de protocolos de higiene. O objetivo foi identificar os principais pontos de contaminação bacteriana durante a ordenha e propor práticas adaptadas às condições locais.

Com a adoção de boas práticas, como o preparo adequado do úbere e a higienização rigorosa de utensílios e equipamentos, as propriedades registraram uma redução superior a 95% na carga bacteriana do leite, independentemente do nível tecnológico adotado.

Para viabilizar a transferência desse conhecimento ao campo, foram produzidos materiais educativos, como vídeos, notas técnicas e documentos orientadores, destinados a técnicos, produtores e indústrias. Os resultados também foram disseminados em cursos, treinamentos, oficinas e palestras em diferentes regiões do estado, alcançando mais de cinco mil pessoas em 42 municípios.

Qualidade do leite e rentabilidade

A adoção de bonificações por qualidade do leite tem funcionado como um incentivo direto à implementação de boas práticas no campo. Em Rondônia, o Laticínio Joia parceiro da Embrapa, passou a pagar, a partir de 2015, um adicional por litro de leite que atende aos padrões estabelecidos pelo Programa Nacional de Qualidade.

A melhoria da qualidade do leite é atribuída a um conjunto integrado de ações, que vai desde a estruturação de laboratórios e diagnósticos da cadeia produtiva até a definição de recomendações técnicas e a aplicação prática das boas práticas nas propriedades.

A parceria com as indústrias lácteas foi determinante para transformar os resultados da pesquisa em ganhos concretos de qualidade, por meio da análise estratégica de dados, capacitação de equipes de campo e comunicação direta com os produtores.

Além das indústrias, participaram dos projetos a Secretaria de Agricultura de Rondônia (Seagri) a Emater-RO a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) e a Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (Fapero) além de unidades da Embrapa.