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P2P de criptomoedas no Brasil soma trilhões e plano de reserva de 1 milhão de BTC provoca comentários

Uma imagem mais ampla do ecossistema cripto no Brasil ganhou forma com dois desenvolvimentos recentes: um levantamento sobre o mercado peer-to-peer (P2P) e uma proposta legislativa que prevê a constituição de uma reserva estatal de Bitcoin. Juntos, esses fatos ajudam a entender a dimensão da liquidez disponível em plataformas locais e as complexidades políticas e financeiras de incorporar criptoativos na estratégia pública.

O relatório da Crystal Intelligence mapeou anúncios ativos no segmento P2P e destacou a distribuição de ofertas em múltiplas plataformas, enquanto o debate legislativo sobre a criação de uma reserva de 1 milhão de BTC reacendeu discussões sobre custo, custódia e impacto fiscal.

As reações incluem posicionamentos de figuras do mercado, como o fundador da Binance, que comentou a dificuldade prática de construir uma reserva desse porte.

Panorama do mercado P2P no Brasil

O levantamento identificou 1.641 anúncios ativos distribuídos por nove plataformas, resultando em uma capacidade de negociação estimada em US$ 2,22 trilhões. Esse número aponta para um mercado liquidez concentrada e com ofertas relevantes para compra e venda direta entre usuários, sem intermediários tradicionais.

Na composição desse ecossistema, a Binance aparece como protagonista: a exchange detém 45,1% de todas as ofertas mapeadas. A participação expressiva de um único player sinaliza tanto a eficiência de sua infraestrutura quanto um grau de concentração que pode influenciar preços e condições de negociação no ambiente P2P.

Implicações da concentração em uma plataforma

A presença dominante de uma exchange significa maior capacidade de matching entre compradores e vendedores, reduzindo spreads e melhorando velocidade de execução. No entanto, também traz questões de governança e resiliência: se um único ator concentra quase metade das opções disponíveis, choques operacionais ou regulatórios nessa plataforma podem reverberar de forma ampla no mercado local.

Proposta de reserva de 1 milhão de Bitcoin e as reações

No plano legislativo, um substitutivo ao Projeto de Lei 4501/2026 propõe que o Estado acumule 1 milhão de Bitcoins ao longo de cinco anos. A meta, além de ambiciosa, foi estimada em custo de aproximadamente R$ 350 bilhões no valor de mercado referido pelo texto do projeto. O substitutivo altera a arquitetura original, deslocando responsabilidades e ampliando medidas relacionadas a tributação e custódia.

Entre as mudanças previstas estão a transferência da responsabilidade para o Tesouro Nacional, isenções fiscais sobre ganho de capital em criptoativos, autorização para pagamento de tributos em Bitcoin e garantias de autocustódia e sigilo das transações. Essas alterações mexem tanto com a política fiscal quanto com normas de prestação de informações fiscais vigentes.

Reação do mercado e de lideranças

O comentário do fundador e ex-CEO da Binance, Changpeng Zhao (CZ), chamou atenção: em publicação no X feita na sexta-feira (13) ele afirmou que “é preciso muito dinheiro” para acumular 1 milhão de Bitcoins, destacando o desafio prático de aquisição a preços de mercado. Essa observação sublinha três dificuldades centrais: disponibilidade de oferta, impacto sobre preços durante compras em larga escala e a necessidade de uma estratégia de compra escalonada para mitigar custos.

Além do aspecto financeiro, líderes do mercado e formuladores de políticas precisam considerar custódia, segurança jurídica e transparência. O substitutivo também prevê a possibilidade — em caráter temporário — de manter cotas de ETFs lastreados em Bitcoin, o que introduz instrumentos financeiros alternativos para operacionalizar a reserva.

O mapa do mercado P2P e o debate sobre a reserva estatal ilustram um país com forte atividade de negociação direta entre pares e um interesse político crescente por criptoativos. No entanto, a convergência entre grandes volumes, concentração de oferta e propostas legislativas com impactos fiscais exige cuidadosa avaliação de riscos e benefícios.

Para avançar, é necessário combinar estudos de impacto, estratégias de aquisição que evitem pressionar preços no mercado e mecanismos claros de governança e prestação de contas. A experiência do setor privado, comentários de executivos como CZ e dados de inteligência de mercado são insumos valiosos para guiar decisões públicas sobre a integração de Bitcoin nas reservas e para compreender melhor o funcionamento do P2P no Brasil.

binance domina mercado p2p de bitcoin no brasil com capacidade de negociacao trilionaria 1771384052

Binance domina mercado p2p de bitcoin no Brasil com capacidade de negociação trilionária