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10 julho 2026

Novo sistema judicial paulista visa desarticular organizações criminosas e lavagem de dinheiro

O Tribunal de Justiça de São Paulo inaugurou três varas especializadas para combater o crime organizado e a lavagem de dinheiro, com apoio do STF e CNJ

Novo sistema judicial paulista visa desarticular organizações criminosas e lavagem de dinheiro

Na última quarta-feira, 8 de julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) deu um passo significativo na luta contra o crime organizado. A corte inaugurou três novas varas especializadas, dedicadas a desarticular organizações criminosas e combater a lavagem de dinheiro.

O evento, realizado no Fórum da Barra Funda, contou com a presença de autoridades de destaque, incluindo o desembargador Francisco Eduardo Loureiro, presidente do TJSP, e o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Novas varas e cooperação nacional

A criação das 1ª e 2ª Varas Estaduais de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores além de uma terceira unidade estadual, representa um avanço estratégico no combate ao crime organizado. Essas varas serão responsáveis por centralizar as investigações e processos relacionados a essas atividades ilícitas.

O ministro Edson Fachin destacou a importância da cooperação entre os órgãos judiciais. “É preciso evitar um efeito sistêmico sobre a independência judicial“, afirmou. Ele também ressaltou a necessidade de uma rede nacional de magistrados para fortalecer a colaboração entre os estados.

Desafios da lavagem de dinheiro e criptomoedas

Fachin alertou sobre os desafios enfrentados no combate à lavagem de dinheiro, especialmente com o uso de criptomoedas e plataformas clandestinas de apostas. “As quadrilhas utilizam mecanismos virtuais com empresas ilegais sob fachadas lícitas e sem regulamentação formal”, explicou.

O ministro também mencionou a necessidade de estruturar ferramentas em conjunto com o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para enfrentar esses desafios. “O envio e o recebimento de criptomoedas dificulta todas as investigações conduzidas em território nacional”, afirmou.

Proteção aos magistrados e prioridades

O desembargador Francisco Eduardo Loureiro destacou a importância de concentrar as investigações em juízes especializados para evitar a fragmentação das investigações. “São crimes de extrema complexidade”, afirmou.

Fachin também expressou preocupação com a segurança dos magistrados. “É preciso ter um cuidado com os magistrados sob ameaça das organizações criminosas”, alertou. Ele mencionou que mais de cem juízes estão em atividades de risco no Brasil, com 79 deles atuando com medidas protetivas.

O ministro reforçou que o enfrentamento aos grupos criminosos transnacionais é uma prioridade absoluta de sua gestão. “O crime organizado não é apenas um problema de segurança pública, mas uma ameaça ao próprio Estado de Direito Democrático“, declarou.

Com essas novas medidas, o TJSP está dando um passo importante na luta contra o crime organizado, fortalecendo a cooperação nacional e protegendo os magistrados envolvidos nessas investigações complexas.